Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de agosto de 2023
Um dia após as urnas mostrarem vitória inesperada do candidato de extrema direita, Javier Milei, nas prévias das eleições argentinas, o Banco Central (BC) do país decidiu elevar em 22% o dólar oficial, que passa a valer 350 pesos. Segundo fontes do jornal La Nación, o governo vai travar o câmbio até as eleições de outubro.
Em paralelo, o BC elevou a taxa básica de juros em 21 pontos, para 118% ao ano, o mais alto patamar em 20 anos.
A Argentina, que atravessa uma forte crise, tem várias cotações de dólar. No mercado paralelo, o mais conhecido é o chamado dólar blue, que foi negociado a US$ 685 na venda. No dia, o dólar blue atingiu US$ 695, um novo recorde histórico. A expectativa é que a desvalorização do dólar oficial afete as demais cotações.
Após o anúncio do BC argentino, o dólar turista estava cotado a 731 pesos por volta de 18h (horário de Brasília). Havia filas para comprar moeda estrangeira.
Desde que foi anunciada a revisão dos termos do acordo entre o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo argentino, no fim de julho, o Banco Central mudou sua postura e começou a desvalorizar diariamente o dólar.
Nessa segunda, a moeda estrangeira foi desvalorizada em 18% — ou seja, ela subiu 22%. A decisão de uma desvalorização grande e repentina hoje é reflexo do resultado nas urnas. No domingo, foram realizadas as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (Paso). Nesse pleito, são definidos os candidatos que disputarão o primeiro turno da eleição presidencial de outubro.
Javier Milei, do partido A Liberdade Avança, obteve 30,06% dos votos, ficando à frente dos dois candidatos da direita tradicional e da aliança governista, que obtiveram 28,27% e 27,24%, respectivamente.
“No curto prazo, a incerteza sobre o plano econômico de Milei e a palavra dolarização faz o dólar subir no mercado paralelo. E há incerteza sobre o que vem por aí ainda. O Banco Central poderá intervir para conter o dólar paralelo, venderá dólar futuro. Teremos que digerir a surpresa”, disse Fernando Marull, economista da FMyA.
Os títulos argentinos despencaram e lideram as quedas nos mercados emergentes nessa segunda-feira, segundo a Bloomberg. Os títulos com vencimento em 2035 afundaram até 14%, para 27,6 centavos por dólar.
A Argentina contratou empréstimo de US$ 44 bilhões com o FMI, e vem tendo dificuldade de pagá-lo. O país vem sofrendo a pior seca em quase um século, o que trouxe impactos negativos para o setor agropecuário, sua principal fonte de divisas. As informações são do jornal La Nación.
Os comentários estão desativados.