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Geral Argentina poderá pagar pelas exportações brasileiras em reais

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Lula recebeu nesta semana o presidente da Argentina, Alberto Fernández, no Palácio da Alvorada, em Brasília. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Cerca de 200 empresas brasileiras, principalmente da área industrial, poderão elevar suas exportações para a Argentina, após a criação de novos mecanismos de financiamento que permitirão ao país vizinho pagar suas compras em reais.

Os detalhes serão discutidos na próxima semana em Buenos Aires. O comércio bilateral, que já chegou a US$ 40 bilhões, hoje está na faixa dos US$ 30 bilhões.

Com as linhas de crédito, o lado argentino promete reduzir de 180 para 30 dias o prazo de desembaraço das mercadorias brasileiras, informa fonte. Com isso, o pagamento também se tornará mais ágil. Será criado uma versão em reais do Sistema de Importações da República Argentina (Sira), que garantirá um tratamento mais rápido (“fast track”).

Discutido na terça-feira (2) em reunião dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Alberto Fernández, o novo mecanismo de financiamento é tratado como uma solução “ganha-ganha”.

Para o Brasil, é uma medida que ajudaria a manter o nível de atividade da economia doméstica e a recuperar terreno perdido para a China no comércio bilateral. De 2013 a 2019, as exportações brasileiras para a Argentina encolheram cerca de US$ 4 bilhões, o mesmo montante do crescimento das vendas chinesas para o país.

A China já possui um mecanismo de financiamento para suas empresas exportadoras, no qual as transações com a Argentina são feitas em yuans. É algo semelhante ao buscado pelo governo brasileiro.

Falta de dólares

Para a Argentina, o mecanismo de financiamento tem a vantagem de ser realizado em reais, reduzindo a demanda por dólares. O país vive uma crise em que a falta da moeda norte-americana é um elemento crítico.

As equipes econômicas dos dois países vão discutir detalhes operacionais do financiamento às empresas brasileiras. Por exemplo: falta decidir como será feito o mecanismo de garantia aos empréstimos. Segundo a fonte, a ideia é criar uma espécie de câmara de compensação em alguma instituição financeira brasileira, a ser escolhida.

O apoio brasileiro à Argentina deverá se estender ao banco do Brics. Na reunião com Fernández, Lula teria acenado com uma linha de financiamento do banco para apoio a países em situação de estresse cambial. Teria incumbido o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de levar o tema à reunião de governadores da instituição, em 29 de maio.

Haddad também foi incumbido de fazer chegar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) a informação que o posicionamento do diretor para o Brasil na instituição, Afonso Bevilaqua, não é a do governo brasileiro. Fernández se queixou a Lula da posição hostil que o diretor tem mantido em relação à Argentina. As informações são do jornal Valor Econômico.

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