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Brasil As cinco possíveis apostas de Bolsonaro para conquistar a governabilidade e aprovar a agenda econômica

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Presidente eleito quer apaziguar disputa interna no PSL. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL tem a disposição cinco possibilidades para conquistar a governabilidade e aprovar a agenda econômica: bancadas temáticas; popularidade e comunicação; diálogo com partidos; negociações no varejo; e aproximação por parlamentar.

Passado pouco mais de um mês da vitória de Bolsonaro nas eleições, está claro o predomínio de quatro grandes grupos na coalizão do futuro governo: o agronegócio, os militares, evangélicos e agentes do mercado financeiro. A maior parte desses setores (os evangélicos ainda buscam um aceno) foi contemplada na formação do futuro ministério, que se manteve fechado a indicações partidárias, prática que ficou conhecida como “toma lá, dá cá” e que foi usado como fator de governabilidade em outras gestões.

Trata-se de uma promessa de campanha do presidente eleito, mas que alimenta dúvidas sobre quais serão suas condições de formar uma base sólida no Congresso Nacional para implementar sua agenda e entregar resultados. No parlamento mais fragmentado do mundo, é um desafio que jamais pode ser subestimado. Em substituição aos métodos que se tornaram corriqueiros no presidencialismo de coalizão brasileiro, Bolsonaro tem buscado dialogar inicialmente com as bancadas temáticas da Câmara. Mas há quem diga que o diálogo partidário é inevitável – e sinais nesse sentido começam a ser dados.

Para se ter uma ideia, 30 partidos elegeram ao menos um deputado federal para a próxima legislatura. O PSL, sigla de Bolsonaro, cresceu expressivamente e chegou a 52 assentos na Câmara, o que configura a segunda maior bancada (atrás apenas do PT, com 56). Ainda assim, o número corresponde a apenas 10,13% do plenário. Mesmo com a expectativas de migração de algo entre 10 e 15 parlamentares em caso de vitória do candidato, a sigla não passaria dos 13% de representação na casa.

Para alterar a Constituição, são necessários pelo menos 308 votos na Câmara. Isso significa que Bolsonaro, pela fotografia das urnas, precisaria contar com apoio mínimo de outros 9 partidos, considerando as maiores bancadas, exceto o PT (que certamente seria oposição neste quadro).

O quadro de fragmentação também cresceu no Senado Federal. O resultado das urnas, na disputa por 2/3 dos assentos da casa, indicou uma pulverização de partidos, com um salto de 15 para 21 legendas. Três em cada quatro candidatos à reeleição ficaram pelo caminho. O MDB continuou como a maior bancada, mas recuou de 19 representantes para 12, seguido por PSDB, com 8, PSD, com 7, e DEM e PT, ambos com 6.

Partidos como Podemos, Rede, PSL, PHS, Pros, PRP, PTC e Solidariedade, que não tinham parlamentares após a última eleição, que renovou 1/3 da casa, agora têm representantes. Dessas, ganham destaque a Rede, com 5 senadores eleitos, e o partido de Bolsonaro, com 4. O número, porém, representa 4,94% do total de assentos na casa. Em um ambiente tão desafiador, muitas perguntas sem resposta surgem sobre a estratégia do novo governo eleito para conquistar apoio da maioria dos parlamentares em suas agendas.

Nesse sentido, o que se observa são cinco eixos que juntos podem conformar um plano para obtenção de sólida base de apoio: bancadas temáticas; popularidade e comunicação; diálogo com partidos; negociações no varejo; e aproximação por parlamentar. Se vai dar certo, até os nomes mais experientes e influentes no Legislativo ainda hesitam em responder.

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