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Mundo As declarações do guru da economia de Bolsonaro sobre o Mercosul surpreendem países membros do bloco

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Paulo Guedes chegou a afirmar que uma das formas de ajudar a lidar com o déficit bilionário do regime seria aumentar a base de incidência de contribuição. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

As declarações do futuro ministro da área econômica do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, geraram surpresa e desconcerto nos membros do Mercosul.

Durante uma entrevista no domingo, no Rio de Janeiro, Guedes disse que a Argentina e o Mercosul “não são prioridade” para o futura gestão do Brasil. Que a prioridade, disse, será comercializar com todo o mundo, como publicou a imprensa argentina.

O economista afirmou ainda que o Mercosul é “muito restritivo, que o Brasil ficou prisioneiro de alianças ideológicas e isso é ruim para a economia”. Ele também disse que o bloco, formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, só negociava com quem tinha “inclinações bolivarianas”, mas que isto não ocorreria mais a partir da presidência de Bolsonaro.

Quando a correspondente do jornal argentino Clarín, Eleonora Gosman, perguntou se o Mercosul seria então “desmontado”, Guedes respondeu: “Sua pergunta está mal feita. A pergunta é se vamos comercializar somente com a Argentina? Não. Somente com Venezuela, Bolívia e Argentina? Não. Vamos negociar com o mundo”.

“O Mercosul não é prioridade. Não, não é prioridade. Tá certo? É isso que você quer ouvir? Queria ouvir isso? Você tá vendo que tem um estilo que combina com o do presidente, né? Porque a gente fala a verdade, a gente não tá preocupado em te agradar”, acrescentou.

As afirmações tiveram forte impacto principalmente na Argentina, segundo maior país do Mercosul depois do Brasil, de acordo analistas e diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil.

O diretor do mestrado de relações comerciais internacionais da Universidade Tres de Febrero (UNTREF), Félix Peña, disse que o assunto é “tão sério” que preferia opinar somente se o futuro presidente ou o futuro ministro das Relações Exteriores do Brasil falarem sobre o tema.

“Que um dos países do bloco diga que não dará prioridade ao Mercosul é algo tão sério que deve ser dito pelo máximo escalão do país e das Relações Exteriores”, disse Peña.

Ele afirmou ainda que o Brasil está formalmente e legalmente comprometido com o Mercosul, pelos acordos assinados.

O Mercosul existe desde 1991, prevendo a ampla circulação de bens e serviços, facilidades tarifárias no comércio entre os países-membros e política comercial unificada para outros países que queiram negociar com o bloco.

Os sócios originais são Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – a Bolívia é um Estado associado em processo de adesão e a Venezuela, que entrou no bloco em 2012, foi suspensa duas vezes por descumprimento de cláusulas democráticas. O país governado por Nicolás Maduro está alijado de todos os órgãos do Mercosul há pouco mais de um ano, depois da convocação de uma Assembleia Constituinte considerada antidemocrática internacionalmente.

Segundo o Itamaraty, as trocas no Mercosul se multiplicaram nove vezes entre os sócios fundadores do bloco – de US$ 4,5 bilhões em 1991 a US$ 40 bilhões em 2017. Críticos afirmam, porém, que o bloco atualmente engessa negociações comerciais brasileiras com outros blocos e países e faz pouco para proteger a democracia na América do Sul.

“Preocupação e surpresa”

O ex-embaixador da Argentina no Brasil Juan Pablo Lohlé disse que as palavras de Guedes geraram “preocupação e surpresa”. Mas que as declarações do futuro ministro de Bolsonaro serviram, na sua visão, “de alerta” para a Argentina.

O país presidido por Mauricio Macri, afirmou o ex-embaixador no Brasil, não deveria continuar dependente do mercado brasileiro como é atualmente. O Brasil é um dos principais destinos das exportações da Argentina, do Uruguai e do Paraguai.

“A Argentina não tem plano B. A Argentina acha que, se o Brasil vai bem, ela vai bem também. É preciso resolver isso. Colocar mais energia nisso, procurar novos mercados nos próprios Estados brasileiros e em outros países”, disse Lohlé.

Para ele, a Argentina precisa resolver seus problemas domésticos, como a inflação, para tentar decolar e não continuar vivendo em função também do comportamento da economia brasileira.

Ele também acha que não é simples o Brasil sair do Mercosul, pelos compromissos que assinou desde a fundação do bloco, em 1991. Ele interpreta que a intenção de Guedes poderia ser “flexibilizar” o esquema tarifário em vigor hoje no bloco.

As declarações de que a Argentina e o Mercosul não são prioridade estiveram entre as principais noticias da Argentina, do Uruguai e do Paraguai.

“O Mercosul não será prioridade para governo Bolsonaro”, publicou o La Nación, de Buenos Aires.

“Será que Bolsonaro ratificará o que disse Guedes?”, perguntou um comunicador da rádio Ciudad, da capital argentina.

Entrevistado pela rádio La Red, de Buenos Aires, o embaixador argentino no Brasil, Carlos Magariños, disse que “não imagino o fim do Mercosul com a chegada de Bolsonaro, mas sabemos que algumas coisas serão avaliadas.”

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