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Mundo Eleições 2026 nos Estados Unidos: favoritos, democratas temem tentativa de roubo de eleição legislativa por Trump

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Pesquisa aponta apenas 25% de votantes certos de que não haverá interferência nas eleições de meio de mandato. (Foto: Freepik)

Deputado federal pelo Partido Democrata dos Estados Unidos, Joe Morelle é o principal quadro da oposição em uma função no Capitólio que, em uma democracia prestes a celebrar 250 anos, deveria seguir pautada por saudável previsibilidade burocrática. Não mais. Responsável por arbitrar, pela minoria, disputas que, em seis meses, vão definir o comando do Legislativo dos EUA, o político de Nova York tem se dedicado a elaborar intrincadas estratégias legais a partir de consultas a juristas, procuradores e até chefes de seções eleitorais país afora.

À revista Economist, ele listou 150 possíveis manobras da Casa Branca para interferir no processo eleitoral. Entre elas, batidas de oficiais da Imigração em bairros com eleitores latinos em 3 de novembro para reduzir o efeito do voto já batizado de anti-ICE (Agência de Imigração e Alfândega), anulação de cédulas sufragadas via serviço postal e apreensão de urnas que os fiscais republicanos, hoje majoritariamente militantes trumpistas, considerarem suspeitas. Sua preocupação foi sintetizada pela revista britânica em uma pergunta: “E se Donald Trump tentar roubar as eleições?”.

A razoabilidade da questão não deve ser medida apenas por ter sido proposta por adversários ainda zonzos com a derrota de 2024, argumenta o cientista político Jonathan K. Hanson, da Universidade de Michigan, com a experiência de quem foi assessor legislativo de congressistas das duas siglas. Ela deve ser avaliada, crê, a partir de falas e atos do presidente, desde que disputou sua primeira primária republicana, em 2016, em Iowa. Na ocasião, ao chegar atrás do senador Ted Cruz, afirmou ter “sido tungado”. Quatro anos depois, ao buscar a reeleição, pressionou oficiais a encontrar “votos que faltam para eu vencer”, sem sucesso. E acusou, sem provas, fraude na derrota para Joe Biden, com sérias consequências para a democracia americana, entre elas a invasão do Capitólio.

Na campanha de 2024, afirmou a evangélicos que “esta é a última vez em que vocês precisarão ir às urnas”. De volta à Casa Branca, após pleito jamais questionado pelo Partido Democrata, promulgou ato executivo que federaliza as eleições, considerado inconstitucional por juristas de peso, e enviou projeto ao Congresso, parado no Senado, que dificulta o voto à distância.

Este ano, afirmou que, “pensando bem, nem deveríamos ter eleições”. Depois, que “a contagem dos votos deveria ser feita pela Casa Branca”. E que, “em tempos de guerra, deveríamos adiar o pleito”. Também lamentou não ter enviado militares para apreender urnas eletrônicas nos estados-chave que perdeu em 2020.

“Não é alarmismo da oposição. A democracia americana está, sim, em jogo em novembro. A pressão do governo é tamanha para não se interromper a guinada do país à direita que um dos cenários temidos é o atual Congresso, pressionado pela militância, se recusar a aceitar o resultado no caso de vitória democrata. Trata-se de um ato formal, mas que, se interpretado de forma leviana, alimentado por teorias conspiratórias, nos aproximará ainda mais do modelo da Rússia de Vladimir Putin”, afirmou Hanson ao jornal O Globo.

Mesmo levando-se em conta que pelejas de meio de mandato nas urnas são tradicionalmente vencidas pela oposição, o Partido Republicano chegou especialmente enfraquecido à pré-campanha este ano. Eleitores se dizem enfurecidos com a ausência de plano para redução do alto custo de vida, incrementado pelo aumento da gasolina, dos fertilizantes e dos alimentos, efeito da guerra contra o Irã. A pesquisa semanal Economist/YouGov registrou na terça-feira o recorde de 59% de reprovação ao Trump 2.0. E o saudado modelo do guru Nate Silver aponta vantagem nacional de 5,7 pontos percentuais para os democratas.

A retomada do controle do Congresso pelo Partido Democrata significaria, como já alertou o próprio presidente, novo processo de impeachment. E também investigações sobre corrupção na Casa Branca, os conflitos de interesse da família Trump e o uso do aparato de Justiça e inteligência federal para perseguir adversários. Evitar esse cenário é prioridade para o governo. E onde há escassez de votos, detecta-se a multiplicação de estratégias nada católicas.

Diversos estudos constatam que o negacionismo eleitoral, uma das forças motrizes do trumpismo, inclusive com casos documentados de ameaças a mesários e presidentes de seções eleitorais nos estados onde as disputas são mais acirradas, comprometeu a fé do eleitor americano no sistema eleitoral. Algo que piorou mais este ano com o amplo redesenho de distritos eleitorais, com o objetivo declarado de beneficiar partidos governistas em seus respectivos estados. O movimento foi incentivado pela Casa Branca, inicialmente no Texas, e respondido à altura pelo Partido Democrata, notadamente na Califórnia. E depois se expandiu para todo país, dando a percepção de que o fator menos importante no processo era justamente o cidadão e seu voto.

Em 2024, quando Trump disputava a Presidência com a então vice-presidente Kamala Harris, pesquisa Economist/YouGov registrou, já de forma alarmante, que apenas 44% dos eleitores entrevistados em todo país se diziam “confiantes” ou “muito confiantes “na licitude do pleito. Dois anos depois, a situação piorou muito.

Em momento ainda mais marcado pela incerteza sobre o uso da inteligência artificial nas campanhas, levantamento feito pelo mesmo instituto, para o mesmo cliente, com os mesmos métodos, completo na segunda quinzena de abril, constatou apenas 25% de votantes certos de que não haverá interferência nas eleições de meio de mandato. Mais: a maioria dos que se identificam com um dos dois partidos majoritários acredita que a outra sigla está determinada a praticar métodos desonestos para vencer as eleições. E apenas 10% do total crê que os dois lados se pautam pela ética. As informações são do jornal O Globo.

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