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Rio Grande do Sul Enchentes de maio no RS: governos precisam lidar melhor com fenômenos extremos

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Catástrofe ambiental é a pior já vivida no Estado. (Foto: Marcello Campos/O Sul)

As enchentes de maio no Rio Grande do Sul impuseram uma lição: governos municipais, estaduais e federal precisam se preparar melhor para os fenômenos climáticos extremos que, em razão do aquecimento global, tornam-se cada vez mais frequentes e intensos. E neste momento de demanda crescente, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem sido esvaziado.

Como têm demonstrado reportagens na imprensa, o orçamento empenhado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária ao Inmet vem caindo. Foram R$ 29,1 milhões em 2020, R$ 27,6 milhões no ano seguinte, R$ 22,1 milhões em 2022, R$ 16,1 milhões no ano passado e R$ 11,5 milhões desde o início deste semestre.

Quando observados os valores à área de meteorologia (e não apenas ao Inmet), também houve queda. Em 2022, foram empenhados R$ 24,7 milhões e pagos R$ 22,7 milhões. Em 2023, R$ 18,4 milhões e R$ 18,3 milhões. Neste ano, até agora o montante é de R$ 15,5 milhões e R$ 12 milhões.

Previsão do tempo em risco

Para efeito de comparação, no ano passado o governo empenhou R$ 51 milhões e gastou R$ 43 milhões no Centro de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), estatal de semicondutores destinada à liquidação no governo Jair Bolsonaro, mas resgatada no governo Lula, apesar de irrelevante.

O orçamento do Ceitec para este ano é de R$ 46,2 milhões. Num país em que Judiciário e Ministério Público custaram à sociedade 1,6% do PIB em 2022, onde o fundo eleitoral praticamente dobrou de uma eleição municipal a outra (de R$ 2,5 bilhões para R$ 4,9 bilhões) e os gastos obrigatórios são engessados, falta dinheiro onde ele é mais necessário. É o lado perverso da crise fiscal.

Com orçamento curto no Inmet, os problemas de gestão se agravam. Contratos com terceirizados são cancelados e equipes reduzidas. No Rio de Janeiro, contam funcionários, não há mais meteorologista em campo. Em Porto Alegre, apenas dois servidores tomam conta das previsões. Belo Horizonte mantém uma única servidora.

Algumas repartições nem têm mais telefone, ainda essencial em situações de emergência. Atualmente só a sede em Brasília recebe ligações, e a população é orientada a usar o site. A catástrofe no Rio Grande do Sul e suas cenas de horror deveriam levar à reavaliação de prioridades.

Um dos fatores que tornam os desastres climáticos mais letais é a falta de ações preventivas. A previsão de chuvas permite que a Defesa Civil crie estratégias e rotas de salvamento com antecedência. Mesmo que a previsão não se confirme, é essencial estar preparado para o pior cenário.

A previsão meteorológica é apenas parte de uma estrutura maior que precisa ser acionada em momentos críticos. Quando essa engrenagem funciona, aumentam as chances de salvar vidas. Mas tudo depende de previsões corretas e de comunicação ágil. E isso depende de o dinheiro público ser despendido onde é necessário.

(Marcello Campos)

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