Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020

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Brasil As manchas de óleo que atingem as praias do Nordeste brasileiro poderão alcançar o litoral do Rio de Janeiro

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Alerta é de técnicos da UFRJ que avaliam o desastre ambiental. (Foto: Agência Brasil)

Nos próximos dias, técnicos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) investigarão quais as áreas do litoral brasileiro ainda podem ser atingidas pelas manchas de óleo que já poluem as praias de pelo nove Estados da Região Nordeste. A costa fluminense não está descartada como um dos próximos destinos do material.

Até agora, a mancha se estende do Maranhão ao Norte da Bahia. Em uma primeira fase, o estudo apontou como provável origem do óleo uma zona a cerca de 650 quilômetros da costa do País, na fronteira entre Sergipe e Alagoas, em julho ou agosto.

“Considerando-se os pontos onde foi localizado óleo, foi feito um trabalho de modelagem inversa. A partir das condições hidrodinâmicas, calculamos a trajetória do óleo voltando no tempo para tentar achar a origem”, ressaltou a pesquisadora Carina Bock, do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia da UFRJ.

O próximo passo será fazer a mesma modelagem para frente, a fim de descobrir para onde o óleo pode se deslocar. Será possível saber, por exemplo, se ele chegará ao Estado do Rio de Janeiro, em quanto tempo e possíveis pontos de entrada.

O oceanógrafo David Zee, da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), não esconde a sua preocupação com a falta de ações de contenção por parte do governo federal e vê grandes chances de o Espírito Santo e o Rio de Janeiro serem atingidos.

“As praias do Norte e Nordeste vão ficar com resquícios do óleo pelos próximos 20 anos”, alerta Zee. “Se chegar ao Sul da Bahia, o Espírito Santo será a bola da vez.” No Rio de Janeiro, segundo ele, a entrada se daria pelos municípios de São Francisco de Itabapoana, Barra de São João e Quissamã, no Norte fluminense: “Se chegar àquela região, a pesca vai ser afetada e muita gente faz pesca de subsistência nessas cidades”.

Conforme o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) garantiu que não foi identificada mancha em alto mar nem tendência de deslocamento nas proximidades do Estado do Rio. O órgão informou que possui um plano de contingência que abrange o cenário de surgimento de óleo em praias, e que mantém a vigilância.

Investigação

Um levantamento divulgado pelo Ibama na última quinta-feira mostrou que 187 localidades do Nordeste foram atingidas pela mancha em 76 municípios de nove Estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. De acordo com o órgão, a investigação da origem do material poluente está sendo conduzida pela Marinha. Já a investigação criminal é objeto da PF (Polícia Federal).

Ainda segundo o Ibama, o poluente se concentra em camada sub-superficial da água. “Por essa razão, as manchas não são visualizadas em imagens de satélite, sobrevoos e monitoramentos com sensores para detecção de óleo, sendo detectadas apenas quando alcançam a costa”, explicou o Ibama. O órgão informou que os prejuízos para a fauna e a flora estão sendo avaliados.

O MPF (Ministério Público Federal) já ajuizou uma ação contra a União por omissão no desastre ambiental. A Procuradoria pede que seja colocado em prática o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água. “Tudo que se apurou é que a União não está adotando as medidas adequadas em relação a esse desastre ambiental que já chegou a 2,1 mil quilômetros dos nove Estados da região”, afirma o MPF, que pede multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

(Marcello Campos)

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