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Colunistas As manchetes mudam. A natureza humana, não

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Vivemos em um tempo que considera esses valores fundamentais, mas raramente nos perguntamos de onde eles vieram. (Foto: GAI Media)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Como comunicadora, convivo diariamente com a missão de informar. Todos os dias acompanhamos acontecimentos que ocupam as manchetes e, pouco tempo depois, cedem espaço para novas notícias. Durante uma mensagem, o Pastor Isaías Figueiró compartilhou uma frase que permaneceu ecoando na minha mente ao longo de toda a semana: “A Bíblia é o jornal de amanhã.” A partir dessa reflexão, passei a olhar para as notícias diárias sob uma perspectiva diferente.

Quando abrimos um portal de notícias ou assistimos a um telejornal, encontramos guerras, corrupção, violência, famílias em conflito, relacionamentos rompidos, ansiedade, medo, disputas por poder e uma sociedade cada vez mais dividida. Mudam os países, mudam os personagens, mudam as circunstâncias, mas o coração humano continua enfrentando as mesmas batalhas descritas nas Escrituras há milhares de anos.

A tecnologia evoluiu, a medicina avançou, a inteligência artificial transformou a maneira como vivemos e nos relacionamos, mas nenhuma inovação foi capaz de eliminar a inveja, a mentira, a ganância, o orgulho ou a necessidade humana de encontrar sentido para a vida. As ferramentas mudaram. O coração humano continua diante das mesmas escolhas.

Foi então que uma pergunta começou a me acompanhar: quem decidiu que matar é errado? Quem estabeleceu que roubar merece punição? Quem afirmou que mentir destrói relacionamentos, que a honra deve ser preservada, que a justiça precisa prevalecer e que o respeito é indispensável para a vida em sociedade?

Vivemos em um tempo que considera esses valores fundamentais, mas raramente nos perguntamos de onde eles vieram. Muito antes de existirem constituições, códigos civis ou tribunais modernos, as Escrituras já apresentavam princípios que influenciaram profundamente a formação da civilização ocidental. Não apenas ensinaram que não se deve matar, roubar ou levantar falso testemunho, mas também revelaram a importância do perdão, da responsabilidade, da generosidade, do cuidado com o próximo e do amor, inclusive por aqueles que pensam diferente de nós.

É interessante perceber que até mesmo quem afirma não acreditar na Bíblia espera viver em uma sociedade onde a vida humana seja protegida, a verdade tenha valor, os contratos sejam cumpridos, a justiça funcione e a dignidade das pessoas seja respeitada. Isso demonstra o quanto os princípios bíblicos ultrapassaram os limites da religião e continuam presentes na maneira como entendemos o certo e o errado.

As Escrituras não apresentam apenas uma lista de regras. Elas revelam quem é Deus e, ao mesmo tempo, revelam quem somos nós. Se a vida tem valor, é porque fomos criados à imagem de Deus. Se a verdade importa, é porque Deus é verdadeiro. Se a justiça continua sendo um ideal, é porque ela faz parte do Seu caráter. Os mandamentos não nasceram para limitar a liberdade humana, mas para proteger aquilo que nos torna verdadeiramente humanos.

A Bíblia permanece atual porque não foi escrita para comentar uma manchete específica, mas para revelar a essência do ser humano. Ela expõe nossas virtudes e nossas contradições, denuncia aquilo que nos afasta de Deus e do próximo e aponta um caminho de esperança, reconciliação e restauração.

Como comunicadora, aprendi que a notícia explica o que aconteceu. As Escrituras, porém, ajudam a compreender por que continuamos produzindo as mesmas notícias. Elas não apenas registram a história da humanidade, mas iluminam a condição humana com uma profundidade que atravessa os séculos.

Por isso, hoje entendo aquela frase de uma forma ainda mais ampla. A Bíblia não é o jornal de amanhã porque desperta curiosidade sobre os acontecimentos futuros. Ela é o jornal de amanhã porque forma o nosso caráter para enfrentar o futuro. Nenhum de nós consegue controlar as próximas manchetes, mas todos podemos decidir quem seremos quando elas fizerem parte da nossa história.

Em um tempo em que a informação circula em velocidade impressionante e as notícias envelhecem em poucas horas, vale lembrar que conhecimento nem sempre produz sabedoria. As manchetes informam sobre o que acontece ao nosso redor. As Escrituras nos ajudam a compreender o que acontece dentro de nós. Enquanto as notícias registram o tempo em que vivemos, a Palavra de Deus continua formando pessoas capazes de atravessar esse tempo com sabedoria, discernimento e esperança.

* Suellen Ribeiro, empresária e comunicadora do grupo Rede Pampa (@suribeiroc)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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Jaime Nazario
30 de julho de 2026 08:46

Prezada Suellen, muito boa a sua abordagem. Gosto de suas reflexões. Permita considerar que a Biblia, considerada como um código de conduta, não criou princípios e valores, ela os tornou positivados, escritos. Existem princípios universais e imutáveis que são inerentes à natureza humana, como você mesma expôs, e estes decorrem do que se convenciona chamar de direito natural, o qual é pré-existente às leis religiosas e ao Estado. Quanto ao conceito de “homem criado à imagem de Deus” (imago Dei), atualmente este está em processo de ressignificação frente a novas concepções e descobertas que revelam que o ser humano não… Leia mais »

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