Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 19 de dezembro de 2020
Enquanto os Estados Unidos registraram, pelo segundo dia consecutivo na última quinta-feira (17), mais de 3 mil mortes por covid-19, o vice-presidente do país, Mike Pence, foi vacinado diante de câmeras de televisão para tentar assegurar a população da confiabilidade e eficiência da vacina. O início da campanha de imunização em solo americano é uma luz no fim do túnel para a nação mais afetada pela pandemia, cenário acentuado pela relutância do governo em seguir as diretrizes científicas no último ano.
Pence, sua mulher, Karen, e o cirurgião-geral dos EUA, Jerome Adams, porta-voz de assuntos relacionados à saúde pública, são até o momento as principais autoridades americanas a receberem a vacina da Pfizer/Biotech, que começou a se aplicada no país no início da semana passada. Após ser vacinado, o vice-presidente disse que “não sentiu nada” e que espera construir “confiança” popular na vacinação.
“Karen e eu estamos mais do que felizes de nos prontificar para tomar esta vacina segura e eficiente contra o coronavírus. É um dia muito inspirador”, disse o vice-presidente, que é o responsável por comandar a Operação Warp Speed (Velocidade da Dobra), lançada pelo governo para acelerar a vacinação. “É importante que todos os americanos lembrem que todos nós temos um papel a cumprir. A saída é a vigilância e a vacinação.”
O presidente eleito, Joe Biden, cuja campanha foi amplamente baseada em escutar os especialistas para uma resposta efetiva à crise sanitária, deverá ser vacinado na semana que vem, também diante das câmeras. O epidemiologista-chefe da Casa Branca, Antony Fauci e o diretor do Centro de Proteção e Doenças dos Estados Unidos, Robert Redfield, também estiveram presentes no evento, realizado na Casa Branca.
Uma ausência sentida diante dos esforços bipartidários para incentivar a vacinação, no entanto, foi a do presidente Donald Trump. O ocupante da Casa Branca, bastante criticado por sua conduta anti-ciência em resposta à pandemia, vem falando relativamente pouco sobre a vacina e já deixou claro que não tem planos para se imunizar em breve.
Cenário crítico
Segundo fontes do The New York Times, Trump demonstra maior preocupação com sua derrota na eleição de 3 de dezembro e o fracasso de sua ofensiva legal para revertê-la do que com a pandemia. Até mesmo em conversas privadas, a vacina é raramente pautada pelo presidente.
A vacinação chega em meio ao temor que as festas de fim de ano acentuem um já grave quadro epidemiológico. Na última quarta (16), o país registrou recordes 3.668 mortes por covid-19, segundo a Universidade Johns Hopkins. Na quinta, foram mais 3.270 vidas perdidas para o vírus. As novas infecções já passaram das 300 mil no país.
Ao contrário da primeira onda, onde os casos concentravam-se em alguns Estados como Nova York e Nova Jersey, desta vez a pandemia afeta grandes regiões do país onde a disponibilidade de leitos de terapia intensiva é escassa.
Apesar da vacinação de Pence, os sinais emitidos por Washington são confusos e indicam relutância em reconhecer a gravidade do cenário. O vice-presidente, por exemplo, é vacinado cerca de um mês depois de assinar um artigo para o jornal Wall Street Journal afirmando que não havia uma segunda onda da doença.
Parlamentares na fila
O secretário de Estado, Mike Pompeo, foi forçado a entrar em quarentena após ter contato com uma pessoa infectada durante uma das várias festas promovidas pelo Departamento de Estado. Por sua vez, Trump continua frustrado que a vacina só foi disponibilizada após a eleição, segundo fontes do The New York Times.
De acordo com o jornal, o presidente sabe que parte de sua base eleitoral é composta por grupos anti-vacina e contrários ao uso de máscaras, e não quer parecer que torceu o braço na reta final, acatando as recomendações das autoridades de saúde.
Trump, que chegou a passar dias internado após contrair o vírus, também deixou claro que não quer que funcionários da Casa Branca corram para se vacinar, apesar de muitos deles não o esperarem: integrantes de equipes essenciais para o funcionamento do governo já estão sendo imunizados.
Para além de Biden, é esperado que os juízes da Suprema Corte e parlamentares em grupo de risco na Câmara e no Senado também sejam vacinados nos próximos dias, para garantir que o Legislativo continue a funcionar. Tanto a líder da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, quando o líder do Senado, o republicano Mitch McConnell, já indicaram que estarão entre os primeiros a se vacinarem.
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