Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de junho de 2020
O Brasil completou nesta quarta-feira (17) três semanas com o ritmo de registro de mortes por Covid-19 entrando em estabilização. Quando se considera uma média semanal de óbitos (para descontar os atrasos de notificação dos finais de semana), desde o dia 26 de maio o País está em um patamar médio de 985 vítimas por dia, sem oscilar mais que 6% desse valor.
Nos gráficos epidemiológicos, o número de casos e mortes assume aos poucos a forma de platô — o que, em outros países, representou o pico da ocorrência de Covid-19. Essa realidade, no entanto, esconde diferenças locais. Enquanto os Estados onde a pandemia chegou antes, Rio de Janeiro e São Paulo, puxam a tendência de estabilização, outros, como Paraná e Paraíba assistem a epidemia começando a ganhar impulso. O retrocesso de um lado anula o avanço de outro na média nacional.
O Estado do Rio chega até a insinuar uma queda um pouco mais clara no número de mortes por dia na última quinzena, passando de aproximadamente 200 para 140. São Paulo, no entanto, não conseguiu rebaixar este patamar da mesma forma.
O comportamento desordenado do coronavírus Brasil afora deve-se às proporções continentais do País. Grupos de estudo e modelagem da Covid-19 avaliam que há vários focos de epidemia no território nacional. No eixo Rio-São Paulo, por exemplo, a maior preocupação é o registro de casos nos municípios do interior, onde há baixa capacidade de testagem e infraestrutura hospitalar precária para o atendimento a pacientes. Já a disparada na curva de óbitos dos Estados do Sul seria explicada pelo fato de que a região foi a última a ser acometida pelo coronavírus.
“Em um país de nosso tamanho, cada cidade e Estado reagirão de maneira única. Devemos ter diretrizes nacionais para uso de testes, mas as medidas de contenção e o relaxamento (para circulação de pessoas) serão decididas regionalmente”, explica a microbiologista Natalia Pasternak, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
Outro desafio, segundo Pasternak, é a subnotificação. Em Minas Gerais, por exemplo, houve um aumento desproporcional no diagnóstico de síndrome respiratória aguda grave e um registro tímido de Covid-19 — ambas as doenças têm sintomas semelhantes.
As medidas tomadas recentemente por governantes, como a reabertura de shoppings no Rio e em São Paulo, podem acentuar a quantidade de contaminações e, em algumas semanas, dado o tempo necessário para a incubação do vírus, também o número de óbitos.
Casos
O Brasil confirmou nesta quarta-feira 1.269 novos óbitos por coronavírus, chegando ao total de 46.510, segundo dados do Ministério da Saúde.
O balanço da pasta contabilizou também 32.188 novos casos da doença, totalizando 955.377, podendo chegar a marca de 1 milhão de pessoas infectadas até o fim desta semana.
A atualização diária traz um aumento de 2,8% no número de óbitos em relação a terça (16), quando o total estava em 45.241. Já o acréscimo de casos confirmados marcou uma variação de 3,4% sobre o número anterior, quando os dados do Ministério da Saúde registravam 923.189 pessoas infectadas.
Do total de casos confirmados no Brasil, 445.393 pacientes estão em observação e 463.474 foram recuperados. Há ainda 4.033 mortes em investigação.
A taxa de letalidade (número de mortes pelo total de casos) ficou em 4,9%. A mortalidade (falecimentos por 100.000 habitantes) foi de 22,1. Já incidência (casos confirmados por 100.000 habitantes) ficou em 454,6.
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