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Notícias O Rio Grande do Sul já possui quase 2 milhões de condutores com habilitação para motocicletas

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Categoria reivindica melhores condições de trabalho e aumento do valor recebido por entrega. (Foto: Agência Brasil)

Um levantamento divulgado pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul no Dia do Motociclista, celebrado nesse sábado (27 de julho), apontou a existência de 1,9 milhão de condutores desse tipo de veículo no Estado. O contingente representa quase 40% dos cerca de 5 milhões de portadores de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) registrados em cidades gaúchas.

Essa mesma pesquisa (com base em dados disponíveis no mês passado) revelou, ainda, que 139 mil portadores têm CNH apenas para a condução de motos (categoria “A”) ou ciclomotores (“ACC”). Os outros 70% possuem a carteira combinada, ou seja, estão aptos a conduzir tanto motos quanto carros (“AB”).

A maioria dos pilotos sobre duas rodas são homens (80%), mas o percentual de mulheres tem aumentado ao longo dos anos. As condutoras, que hoje representam 20% do total (380 mil), já tiveram uma diferença proporcionalmente maior em relação aos homens, bastando comparar que em 2009 elas eram 14% (182 mil).

Em relação à faixa etária, há uma maior concentração no intervalo entre 26 e 40 anos (42% do total). Menos de 3% dos habilitados são jovens abaixo de 21 anos. Essa experiência se reflete também no tempo de habilitação. A maior parte, 66%, tem licença há mais de dez anos e cerca de 40% há mais de 20 anos.

Além de ser um meio de locomoção, a moto é instrumento de trabalho para parte dos condutores. Do total de habilitados, 23% têm autorização para exercer atividade remunerada com o veículo.

Infrações e acidentes

Somente 13% dos habilitados nas categoria “A” e “ACC” somam pontos ativos em seu prontuário, ou 252 mil de um total de 1,9 milhão de motociclistas. A grande maioria dos que registra infrações (98%) acumula menos de 20 pontos. Somente 4,3 mil contabilizam mais de 20 pontos ativos.

A fragilidade natural do motociclista se traduz em números trágicos de acidentalidade. Nos primeiros cinco meses do ano, 163 motociclistas e 20 caronas de moto perderam a vida no trânsito gaúcho, 27% de um total de 675 vítimas.

Um pouco menos afetados do que os condutores de veículos, que representaram 28% do total das vítimas, os motociclistas foram os mais vitimados nos acidentes. Considerando que as motos representam 17% da frota gaúcha (1,2 milhão de um total de 6,8 milhões), o percentual é muito alto.

Na avaliação do diretor-geral do Detran-RS, Enio Bacci, esse é um problema tão grave que demanda políticas públicas específicas por parte do Estado. “Precisamos melhorar a formação, mas só isso não basta.

Um outro estudo, realizado pelo programa “Vida no Trânsito”, mapeou todos os acidentes com motos na capital entre 2012 e 2014, concluindo que 31% dos condutores desse tipo de veículo que contribuíram para a ocorrência de acidentes de trânsito não eram habilitados. Isso quer dizer que estão dirigindo sem nenhuma formação, sem ter conhecimento das regras elementares do trânsito e sem conhecer também a sua própria fragilidade.”

Identificados como as principais vítimas do trânsito na capital, os motociclistas são alvo prioritário das ações do Vida no Trânsito, programa coordenado pela Secretaria Municipal de Saúde, com a participação do DetranRS e da EPTC (Empresa Pública de Transporte e Circulação).

Para proteger esse público foi criado o programa “Motociclista Seguro”, que propõe ações de educação, fiscalização, comunicação e engenharia de tráfego aos respectivos gestores na área de trânsito e saúde. Recentemente, o programa envolveu também as revendas de motos da Região Metropolitana no trabalho de prevenção e de promoção da segurança no trânsito entre o segmento.

(Marcello Campos)

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