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Brasil As mulheres têm um espaço pequeno nos planos de governo dos presidenciáveis desta eleição

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Questões femininas são ignoradas por algumas das plataformas. (Foto: Agência Brasil)

Na eleição presidencial deste ano, duas mulheres ocupam a cabeça-de-chapa (Marina Silva, de Rede, e Vera Lúcia, do PSTU) e outras quatro concorrem na vice, incluindo as gaúchas Manuela D’ávila (com o petista Fernando Haddad) e Ana Amélia Lemos (com o tucano Geraldo Alckmin). No entanto, o espaço feminino nos planos de governo é fraco.

Quatro dessas plataformas sequer citam a palavra “mulher”. E dentre os que a mencionam, os destaques ficam por conta dos temas “violência” e “equiparação salarial. O discurso a favor da criação de políticas públicas para mulheres está na boca dos candidatos, principalmente em debates e sabatinas.

Jair Bolsonaro

Deputado federal pelo PSL-RJ, Jair Bolsonaro tem uma grande rejeição entre as mulheres: 49% do eleitorado feminino diz que não votaria nele de jeito nenhum. O seu programa de governo disponível no TSE menciona uma única vez a palavra “mulheres” em 81 páginas. Quando questionado sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres, o candidato afirma que não cabe ao Estado interferir.

Ciro Gomes

Candidato do PDT, Ciro Gomes, afirma em seu programa que, se for eleito, pretende corrigir desigualdades sociais entre homens e mulheres e que isso faz parte de sua estratégia. O plano inclui as mulheres ao lado da população negra, LGBT e pessoas com deficiência. Um dos tópicos é “respeito às mulheres”, em que propõe 32 medidas.

Marina Silva

Candidata da Rede, a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva fala das mulheres em pontos do programa dedicados à saúde, educação e emprego. As ações são articuladas a propostas que incluem também as populações LGBT, negra e povos indígenas.

Geraldo Alckmin

Candidato do PSDB, Geraldo Alckmin entregou um programa de governo enxuto, em formato de tópicos. Há três eixos principais de ação, que giram em torno do desenvolvimento econômico e do combate à corrupção e à desigualdade social.

Fernando Haddad

O plano registrado pelo PT, agora representado por Fernando Haddad, dedicou um tópico a políticas para mulheres dentro do capítulo “Inaugurar um novo período histórico de afirmação de direitos”. De forma geral, o programa trata a temática de maneira conjunta com outros setores, destacando ações específicas para esse público em campos diversos, como economia, saúde, social e segurança pública.

Alvaro Dias

O plano de governo do candidato do Podemos, senador Alvaro Dias, não tem tópico específico sobre a temática de gênero ou ações direcionadas a mulheres ou outros grupos específicos. O tom do documento se destina essencialmente ao “povo brasileiro”. A palavra “mulheres” não aparece uma única vez no plano do candidato.

João Amoêdo

Candidato do Novo, o empresário João Amoêdo não traz em seu plano de governo ações específicas a mulheres ou a outros grupos, como negros, indígenas ou população LGBT. Mais uma vez, as “mulheres” não são citadas em nenhuma das 23 páginas do plano.

Henrique Meirelles

Candidato do MDB, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles elaborou um plano direcionado quase que exclusivamente à economia, tema que abre o programa do candidato. Em um trecho específico ele menciona a diferença salarial entre homens e mulheres, detalhando que trabalhamos, em média, três horas a mais todas as semanas e temos 76,5% do rendimento dos homens.

Guilherme Boulos

Candidato do PSOL, Guilherme Boulos, elaborou um programa amplo, com 228 páginas, que tem como prioridade o combate às desigualdades sociais. Boulos coloca como medidas centrais de seu plano, as ideias voltadas às mulheres, à população negra, LGBT e indígena e a pessoas com deficiência. Há 40 intersetoriais mencionadas em todo o programa.

Vera Lúcia

Candidata do PSTU, a educadora sindical Vera Lúcia tem um plano de governo voltado para a classe trabalhadora, há referências a mulheres e população LGBT. O texto traz 16 pontos que tratam de questões trabalhistas, geração de emprego e melhorias na saúde e educação.

Cabo Daciolo

O deputado federal Cabo Daciolo, candidato à presidência pelo Patriota, não traz nenhuma menção ou proposição específica para mulheres ou outros grupos, como população LGBT. No plano, um dos pontos que toca as mulheres é o aborto. Daciolo critica o debate sobre a legalização da prática.

João Goulart Filho

Candidato do PPL, o escritor João Goulart Filho propôs um programa voltado à distribuição de renda e ao desenvolvimento econômico. A proposta é organizada em 20 tópicos. Em um deles, o candidato afirma que a situação da mulher é o principal “termômetro do avanço ou atraso de uma sociedade”, cabendo ao Estado assegurar o desenvolvimento das mulheres.

José Maria Eymael

Candidato pelo Democracia Cristã, o advogado José Maria Eymael apresentou um plano que tem como compromisso o cumprimento da Constituição e dos “valores éticos” da família. É mais um plano que sequer menciona a palavra “mulheres”.

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