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Mundo As tragédias na Argentina tiram o foco dos bons resultados que o presidente vem obtendo na recuperação econômica

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Porém, em alguns casos, faltou empatia do presidente argentino frente às tragédias. (Foto: Reprodução)

Três tragédias de repercussão internacional marcaram 2017 na Argentina. Cada uma com consequências políticas distintas para Mauricio Macri, mas todas com um fato em comum: jogar para segundo plano os bons resultados que o presidente vem obtendo na recuperação econômica da Argentina.

A primeira foi a que mais o afetou. O desaparecimento por mais de dois meses do artesão Santiago Maldonado e a posterior localização de seu corpo. O caso ainda não foi esclarecido, mas a hipótese mais provável é a de que Maldonado tenha se afogado ao fugir da repressão da Gendarmería, a polícia federal de fronteiras, a um protesto de indígenas mapuche.

A campanha para achar Maldonado tomou proporções inesperadas. Por mais de 70 dias, o governo foi pressionado a dar respostas. A espera alimentou a oposição, que chegou a comparar Maldonado aos mais de 20 mil desaparecidos na ditadura.

Atuação no caso Maldonado foi, no mínimo, relapsa. Em qualquer país, o desaparecimento de uma pessoa devido a uma ação das forças do Estado representa abuso de poder. Na Argentina, onde o trauma dos anos 70 ainda é forte, um sumiço nesse contexto é ainda mais grave. Ao minimizar a importância do episódio, Macri mostrou não entender bem a sociedade que governa. Ele não demonstrou empatia com a vítima nem com os indígenas, não foi ao acampamento mapuche, nem recebeu os familiares de Maldonado. Recusou a ajuda da ONU e não fez uma reprimenda aos gendarmes.

Rosarina

Já a segunda tragédia – a morte de cinco argentinos em Nova York em novembro, vítimas de um atentado terrorista em Nova York – causou comoção unânime. Pela brutalidade do ataque, pelo laço de amizade entre as vítimas, pela simpatia que os argentinos têm pelos habitantes da cidade portuária de Rosario.

Macri agiu rápido no apoio às vítimas e na viagem a Nova York para prestar homenagem aos mortos. Os efeitos da tragédia foram bem conduzidos pelo presidente.

Submarino

No caso do submarino ARA San Juan, Macri tem seu primeiro teste de autoridade em relação às Forças Armadas. Por um lado, é em parte mérito seu que uma tragédia argentina gere empatia em tantos países que se prontificaram a ajudar.

Causou desconforto, entretanto, ter vindo à tona a rusga que há entre as Forças Armadas e o Executivo. Não é de hoje que os comandantes militares demonstram pouco respeito pelo ministro da Defesa, Oscar Aguad – que soube do desaparecimento do submarino pela imprensa.

Macri primeiro deu uma bronca no comandante da Marinha. Mas talvez tenha sentido que pesou demais a mão na reprimenda. Na sexta-feira, já com as esperanças de encontrar os 44 marinheiros com vida escasseando, Macri elogiou as Forças Armadas, “aqueles que mantêm nosso território seguro”. O intervalo de dois dias entre bronca e afago demonstrou que o presidente ainda não encontrou o tom para se relacionar com as Forças Armadas.

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