Sábado, 26 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de dezembro de 2017
O ex-chefe da Defesa Civil de Salvador Gustavo Pedreira Ferraz, homem de confiança de Geddel Vieira Lima e do PMDB na Bahia, se disse “traído” ao descobrir que parte do dinheiro que foi buscar para candidatos peemedebistas baianos nas eleições de 2012 foi encontrada no bunker dos R$ 51 milhões.
Ele resolveu colaborar com as investigações e assumiu ter buscado malas de dinheiro para Geddel em São Paulo em depoimento prestado à PF (Polícia Federal) no dia 8 de setembro. Gustavo desabafou à PF. Ele diz que o ministro “disse à época, que o dinheiro seria utilizado nas campanhas dos Prefeitos e vereadores do PMDB no Estado da Bahia”, no entanto, se sentiu traído “se sentiu traído por Geddel, por ele ter ficado com o dinheiro”.
Ferraz alega que o dinheiro “serviria pra ajudar a campanha de inúmeros candidatos do PMDB nas eleições de 2012 na Bahia”. As digitais do diretor da Defesa Civil foram identificadas nos sacos plásticos que envolviam os R$ 51 milhões no apartamento emprestado pelo empresário Silvio Antônio Cabral Silveira. Digitais de Geddel também aparecem nas notas de dinheiro da maior apreensão da história da Polícia Federal brasileira. Até mesmo a fatura da empregada do deputado Lucio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, foi achada no apartamento, que fica a apenas 1,2 quilômetros da casa do ex-ministro e de sua mãe.
Ao pedir a prisão de Ferraz, a Procuradoria da República no Distrito Federal afirmou que o agente público seria o interposto de Geddel Vieira Lima que foi buscar propinas em um hotel em São Paulo junto ao operador de Eduardo Cunha, Altair Alves Pinto. Ele foi denunciado pela PGR (Procuradora-Geral da República) Raquel Dodge.
Ferraz disse acreditar que suas digitais foram identificadas no material encontrado durante a busca, uma vez que no ano de 2012, a pedido de Geddel Vieira Lima, transportou de São Paulo/SP para Salvador/BA dinheiro de contribuição para campanhas do PMDB da Bahia.
Segundo o operador, ele buscou uma mala de dinheiro junto a um interposto não identificado em um hotel em São Paulo e voltou para a capital baiana em um voo fretado. Um motorista do PMDB teria o buscado no aeroporto e o levado à casa de Geddel, aonde os valores foram conferidos, segundo seu depoimento à PF.
Escolhas
“Eu costumo dizer que na vida nós não escolhemos nossos pais. Mas nós escolhemos a comida, os amigos, a mulher, a religião e a cidade para viver e para morrer”, afirmou, certa vez, o advogado Gustavo Pedreira Ferraz, preso pela PF (Polícia Federal) durante a 4ª fase da Operação Cui Bono. Há quase uma década, a escolha pela amizade do ex-ministro Geddel Vieira Lima e de seu irmão, o deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), levou Ferraz a assumir cargos públicos na Bahia e a se tornar uma espécie de “braço direito” da dupla.
Casado, pai de uma filha, torcedor do Vitória, formado pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), Gustavo Ferraz é um advogado de discreta atuação jurídica – trabalhou em apenas três processos nos anos 1990, de acordo com pesquisa feita no sistema do TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia).
Ferraz foi filiado ao PT, na época de estudante no final dos anos 1980, quando foi presidente de diretório acadêmico da Faculdade de Direito da UFBA. Depois, militou pelo PSB. Em 2009, filiou-se ao PMDB. “Geddel se preparou durante a vida e a política foi sua universidade”, afirmou certa vez Ferraz sobre o aliado. “A visão que eu tenho de mundo, eu agradeço muito à convivência com a família Vieira Lima”.
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