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Mundo Ataque com faca deixa ao menos três mortos, incluindo uma brasileira, e vários feridos na Basílica de Nice, na França

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Prefeito da cidade diz que um suspeito foi detido e classificou o ataque como terrorismo

Foto: Reprodução/Twitter
Prefeito da cidade diz que um suspeito foi detido e classificou o ataque como terrorismo. (Foto: Reprodução/Twitter)

Três pessoas foram mortas em um ataque a faca cometido por um homem na Basílica de Notre-Dame, no centro da cidade francesa de Nice, nesta quinta-feira (29). O incidente está sendo investigado como um atentado terrorista e ocorre menos de duas semanas após a decapitação do professor de História e Geografia Samuel Paty por um extremista islâmico, que gerou comoção no país.

O ataque levou a França a elevar o estado de alerta a seu nível máximo. O presidente Emmanuel Macron anunciou novas medidas antiterror, com o deslocamento de milhares de soldados para aumentar a segurança de centros religiosos e escolas pelo país. Macron, que expressou seu apoio à comunidade católica, viajou para Nice horas após o ato criminoso.

“A França está sob ataque”, disse o presidente, fazendo um apelo à unidade do povo francês.  “Se nós somos atacados, é devido a nossos valores, nosso apreço pela liberdade e pela possibilidade de ter liberdade de crença em nosso território (…). Hoje, digo novamente com muita clareza: nós não vamos ceder.”

Segundo os investigadores da Procuradoria Antiterrorismo, o agressor – depois identificado como Brahim Aouissaoui, um jovem de 21 anos de nacionalidade tunisiana – foi baleado por policiais ainda dentro da igreja e levado para um hospital, onde está sob custódia em estado grave. De acordo com o prefeito da cidade, Christian Estrosi, ele gritou “Allahu Akbar” (Deus é grande) diversas vezes antes de ser preso.

De acordo com investigadores tunisianos, franceses e italianos, Brahim Aouissaoui deixou seu país em 14 de setembro último e chegou à Europa no dia 20 daquele mês, em um dos barcos de imigrantes que costumam atracar na ilha italiana de Lampedusa. De Lampedusa, ele foi para a cidade italiana de Bari em 9 de outubro. Aouissaou chegou a Nice de trem nesta quinta-feira, com um documento emitido pela Cruz Vermelha italiana, e trocou de roupa na estação ferroviária antes de se dirigir para o ataque na igreja, a 400 metros de distância. A Tunísia informou que, no país, ele não era fichado como militante radical.

A região da basílica, localizada em uma das avenidas mais movimentadas de Nice, foi isolada.

Dois dos mortos foram atacados dentro da igreja, a maior da cidade: o sacristão da basílica, de 55 anos, e uma mulher de 60 anos, que foi degolada. Segundo o jornal Le Monde, o autor do crime teria tentado decapitá-la, mas não conseguiu. Uma terceira mulher de 44 anos, mesmo ferida, conseguiu fugir para um café nas redondezas, mas não resistiu e morreu. Ela foi depois identificada como a brasileira Simone Barreto Silva, que vivia na França havia 30 anos.

“Encontramos com o atacante um Alcorão, dois telefones e a faca do crime, de 30 centímetros. Também encontramos uma bolsa largada pelo atacante. Perto dela havia mais duas facas, que ele não usou”, disse Jean Francois Ricard, chefe da Procuradoria Antiterrorismo francesa.

Outros incidentes

Mais três incidentes foram registrados nesta quinta, coincidindo com as festividades de Mulude, que marcam o aniversário do profeta Maomé. Logo após o crime em Nice, a polícia matou um homem que ameaçava pedestres em Montfavet, perto de Avignon, no Sul do país. Ele também gritava “Deus é grande”, segundo a rádio Europe 1. Um outro homem, um afegão armado com uma faca de 30 cm, foi preso perto da estação ferroviária Perrache, em Lyon.

Na Arábia Saudita, um homem foi detido em Jedá após ferir um guarda do Consulado da França. Não há, no entanto, quaisquer evidências de que os episódios tenham sido coordenados.

Esforços antiterror

Os detalhes do crime em Nice remetem ao assassinato de Paty, morto no último dia 16. O responsável, um homem checheno, disse que buscava puni-lo por mostrar cartuns do profeta Maomé publicados pela revista satírica Charlie Hebdo durante uma aula. Em 2015, a redação do veículo foi alvo de um atentado que deixou 12 mortos, motivado também pela publicação dos desenhos, considerados uma blasfêmia por muçulmanos.

Nas últimas duas semanas, por diversas vezes, Macron disse que redobraria os esforços para impedir que crenças islâmicas conservadoras subvertessem os valores franceses como a liberdade de expressão e a laicidade do Estado e da educação, defendendo o direito de publicação dos cartuns. Isto gerou forte repúdio em alguns países islâmicos, com críticas dos governos de Qatar, Irã e Arábia Saudita.

Em diversas dessas nações estão sendo organizados manifestações e boicotes a produtos franceses — o Norte da África, em particular, é um mercado importante para Paris. A oposição é liderada pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que trava uma disputa pública com Macron. No sábado, Erdogan disse que o francês precisa de “um exame de saúde mental”, o que levou Paris a chamar seu embaixador em Ancara.

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