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Colunistas Até que ponto a guerra é favorável à China?

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Inicialmente a China foi a grande beneficiada com o início da guerra, mesmo porque acumulou estoque recorde de petróleo. (Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Como o Paquistão conseguiu intermediar a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã? Para muitos é inexplicável que o Paquistão tenha tamanha influência para propor cessar fogo enquanto se discute possível acordo para encerrar a guerra que já dura quase dois meses. Enquanto China e Rússia parecem assistir passiva e confortavelmente aos desgastes dos Estados Unidos e Israel tanto na área militar, financeira e política, em um mundo extremamente conectado, a economia não poupa ninguém.

Inicialmente a China foi a grande beneficiada com o início da guerra, mesmo porque acumulou estoque recorde de petróleo e via seu grande inimigo bélico gastar centenas de milhões de dólares e forte desgaste interno em uma guerra que parece ter entrado sem a real noção do tamanho e consequências. O jornal “The New York Times” publicou recentemente matéria que Donald Trump foi induzido por Israel a começar a guerra contra o Irã, inclusive não atentando para os avisos de seus principais assessores que apontavam informações incorretas e falta de coerência com realidade que ocorria no Oriente Médio.

Fica claro que os interesses de Israel são maiores que os do Estados Unidos, todavia é inegável que eventual poderio nuclear do Irã é ameaça ao mundo. Vale lembrar que na administração Obama, quando houve a liberação de das sanções impostas ao Irã em troca da fiscalização do enriquecimento de uranio os resultados não foram os esperados. Os organismos internacionais reclamavam da falta de liberdade para realizar a inspeção necessária no país dos Aiatolás.

Ninguém sabe ao certo quão próximo está o Irã de ter armas nucleares, sendo certo que o enriquecimento do urânio continuava até o bombardeio de junho passado. Onde entra o Paquistão e a China? O Paquistão é um “braço” da China no Oriente Médio, inclusive com apoio militar e financeiro, tendo bom relacionamento com o Irã e Estados Unidos.

A China consome 80% da produção petrolífera do Irã e fornece praticamente todos os insumos necessários a sobrevivência do regime dos Aiatolás, ou seja, sem a China o Irã é inviável. A ditadura dos Aitolás que já dura mais de 47 anos, praticamente sumiria sem o dinheiro e insumos chineses. O petróleo iraniano representa apenas 14% da necessidade chinesa e, mais de 50% vêm da Arábia Saudita, Iraque e Emirados, passando pelo Estreito de Ormuz.

A alta do preço do petróleo é extremamente prejudicial à China a médio prazo, não só porque gastará muito mais para manter o processo industrial, como também a esmagadora maioria de seus consumidores terão retração na economia e processo inflacionário devido ao preço do petróleo. A China precisa que a economia mundial esteja saudável e apta a consumir cada vez mais. Na atual conjuntura os Estados Unidos são menos prejudicados com o fechamento do Estreito de Ormuz que a Europa e Ásia.

Os estoques de petróleo estadunidenses estão no maior nível em décadas e a intervenção na Venezuela propicia maior conforto a Donald Trump. Isto não quer dizer que os cruéis efeitos na inflação não atinjam os Estados Unidos, o preço da gasolina já aumentou mais de 40% e os reflexos são inevitáveis. A continuidade da guerra não interessa a ninguém, ressalva feita a Israel que tem eliminado as principais lideranças do Irã e grupos terroristas por ele financiados.

O tom de voz do Irã vai depender muito do posicionamento da China, mesmo porque a infraestrutura já está debilitada, poderio militar abalado, lideranças mortas, restando apenas o Estreito de Ormuz, que mais cedo ou mais tarde sem apoio financeiro ficará insustentável. Donald Trump precisa sair rápido da guerra, mas sem demonstrar derrota principalmente quanto à proibição de enriquecimento de urânio no Irã, a China não quer sofrer os efeitos da economia mundial retraída, a Europa e Ásia não querem envolvimento na guerra, mas já sofrem as consequências.

A equação parece complexa, mas o ponto crucial fica restrito à permissão do enriquecimento de uranio nas mãos dos Aitolás. Será que o mundo não tem receio de arma tão poderosa e devastadora acessível a regime ditatorial teocrático? Mesmo nos países democráticos que possuem bombas atômicas, normalmente a utilização tem que passar no mínimo por três níveis e não só o Presidente.

Provavelmente lá seria apenas um ou três Aitolás que decidiriam o assunto. Enquanto todos acreditavam que o míssel de longo alcance do Irã não ultrapassava 2.000 Km, o artefato militar lançado contra a base Diego Garcia atingiu 4000 Km, provando que a Europa já pode ser alvo do irã.

* Dennis Munhoz é jornalista e advogado, foi Presidente da TV Record e Superintendente da Rede TV, atualmente atua como correspondente internacional, Vice-Presidente da Associação Paulista de Imprensa, apresentador e jornalista da Rede Mundial e Rede Pampa nos Estados Unidos.

 

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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