Domingo, 19 de abril de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 15 de abril de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Aborrecido, volto a escrever sobre o decadente prestigio médico na sociedade: nós também somos culpados!!!
O dicionário diz que maltrapilho é: “Aquele que anda mal vestido ou usa vestes velhas ou em mal estado de conservação”.
Indica desleixo, isto é falta de zelo, de capricho ou de interesse.
O livro “Evolução histórica da vestimenta do médico” de autoria de Tubino e Alves, diz que no final do renascentismo, a medicina mágica, empírica e religiosa deu lugar a evidência científica. Então a veste branca foi escolhida entre as demais cores, pois é a que melhor destaca algum tipo de sujeira ou contaminação (um pingo de sangue, uma gota de pus…)
Todos nós reconhecemos que a roupa é uma ferramenta importante na autoexpressão e pode revelar antes da comunicação verbal, pontos da personalidade do indivíduo. Pode gerar empatia, indiferença ou repulsa!
A roupa poderá ser indicativa de que o médico tem uma postura mais conservadora, progressista ou até reacionária.
Hoje vivemos tempos muito estranhos. Alguns acham que o mundo está de cabeça para baixo. Esta falta de bom senso atual, também atingiu em cheio a nova classe médica. A fábrica de médicos do Brasil implodiu a liturgia do cargo. A transmissão dos princípios éticos e morais dos médicos foram duramente abalados. Hoje os novos médicos se consideram trabalhadores iguais as outras profissões. Querem as benesses e esquecem o sacerdotismo.
Se comportam com menos humanismo, pouco compromisso e discutível interesse.
Esqueceram que nós lidamos com o bem mais precioso do homem: a sua saúde.
A postura médica também foi duramente atingida.
Hoje a roupa branca ou avental, que sempre representou o médico, vem perdendo o prestígio na vestimenta dos novos médicos. Eles atendem com calças jeans rasgadas, camisetas, tênis. Não existe nenhuma identificação visual de que eles são médicos.
Existem relatos de médicos atendendo de abrigo, bermudas e até chinelos.
O médico deve estar bem apresentado, para satisfazer primeiramente o seu próprio “eu”. O médico bem vestido fortalece a relação médico-paciente. Vários trabalhos científicos comprovam que o jaleco branco acrescenta credibilidade e confiança na relação. Simboliza limpeza, higiene e profissionalismo. Ainda mais, só numa relação franca e confiante, o paciente poderá discutir problemas mais íntimos, podendo revelar sigilos e segredos.
Um médico maltrapilho certamente não contribui para melhorar o prestígio médico!

(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário – schwartsmann@gmail.com)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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