Quarta-feira, 20 de maio de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 20 de maio de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
No próximo 18 de novembro terá início, aqui em Porto Alegre, na FIERGS, o 58º Congresso Brasileiro de Ortopedia. A nossa sociedade (SBOT) possui mais de 15 mil membros. São esperados mais de 6 mil inscritos. Se contabilizarmos ainda os representantes da indústria farmacêutica, das fábricas de material ortopédico, os médicos das especialidades paralelas e os estudantes de medicina, este número alcançará mais de 10 mil pessoas.
Sem dúvida, é o maior evento da especialidade na América Latina. Serão mais de 600 palestrantes!
Até a presente data, foram realizados apenas 3 congressos nacionais no RS, todos em Porto Alegre. O 6º congresso, em 1944, foi presidido pelo Dr. Luiz Francisco Guerra Blessmann.
O 9º congresso, em 1956, foi presidido pelo Dr. Elias José Kanan. O 40º congresso foi presidido pelo Dr. Osvandre Lech. O próximo (58º) será presidido pelo Dr. Marco Paulo de Souza.
Evidentemente, queremos acolher nossos convidados nacionais e internacionais da melhor maneira possível, com a nossa reconhecida hospitalidade gaúcha.
Antevendo o evento, fiquei discretamente apreensivo no último final de semana, quando assisti a “Tom Jobim Musical”. O teatro da FIERGS estava lotado. Descobri depois que o auditório tem capacidade para 1.757 pessoas. Todo o centro de convenções suporta em torno de 6 mil pessoas.
Para o nosso Estado, que sempre se gabou do melhor nível sociocultural do Brasil, esta constatação foi triste e acachapante.
O Riocentro, inaugurado em 1977, tem capacidade para 14 mil pessoas. O centro de convenções de Fortaleza pode receber 30 mil. O centro de convenções do Anhembi, em São Paulo, tem capacidade para receber 40 mil pessoas. O mesmo ocorre com os centros de convenções de Salvador e Recife, que são cidades menores.
Segundo o ICCA (International Congress and Convention Association), no ranking das principais cidades para eventos no Brasil, Porto Alegre está atrás de Belo Horizonte, Foz do Iguaçu e Campinas.
Afinal, onde está a célebre frase do nosso Hino Rio-Grandense: “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”?
Envergonhado, pergunto: por que não temos um centro de convenções digno da nossa cultura?!
Faltou um líder verdadeiro que abraçasse esta causa. Faltou desejo político do Estado e da prefeitura. Em 2013, o Ministério do Turismo destinou 60 milhões para erguer um centro de convenções. Devido às divergências e às desavenças, o prazo estourou e os recursos voltaram ao governo federal. Um grande centro de convenções é uma reivindicação antiga e uma frustração histórica da cultura do Rio Grande do Sul.
* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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