Quinta-feira, 14 de maio de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 13 de maio de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Alguns dias atrás, parei na sinaleira de uma grande avenida e, ao meu lado, estacionou um Porsche vermelho conversível deslumbrante. Alguns segundos depois, antes de tirar o olhar ciumento da máquina, percebi que passavam, entre os carros, dois moradores de rua com enormes sacolas pretas de lixo carregadas nas costas.
O Porsche me passou uma sensação de evolução, modernidade e avanço tecnológico.
Os desabrigados fizeram emergir um sentimento de profunda tristeza, de impotência e lamento.
Como o país mais rico do mundo permitiu tanta pobreza?!
Nelson Mandela, sul-africano, afirmou certa vez que “democracia com fome, mas sem saúde e educação é uma concha vazia”.
Sem dúvida, são as condições básicas para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa. Uma alimentação boa e adequada é fundamental na manutenção da saúde. Segundo o mapa da fome da ONU, 30 milhões de brasileiros enfrentam dificuldades para garantir alimentos diariamente.
A saúde também é comprometida pelo pífio saneamento básico. Dezessete por cento dos brasileiros não têm acesso à água potável, e 44% não possuem coleta de esgoto!
No outro lado da ponta, verificamos que a educação no Brasil é de baixa qualidade.
Nossos governantes nunca se convenceram de que educação é o maior investimento que um povo pode ter. Hoje faltam vagas, colégios e transporte escolar. Professores são pouco valorizados e mal remunerados. Para piorar o cenário, existe uma evasão escolar muito grande, pela necessidade de o jovem trabalhar para complementar a renda familiar.
Falta entre nós a filosofia do engajamento social educacional.
A falta de educação perpetua a pobreza, a violência, o uso de drogas e a criminalidade.
Nosso índice de desenvolvimento humano (IDH) é de 0,786. Estamos na 84ª posição no ranking mundial.
O Brasil é o quinto país mais desigual do mundo na pesquisa de 216 países.
Hoje, apesar das riquezas inigualáveis, a nossa distribuição de renda é vergonhosa. Dez por cento dos brasileiros detêm 60% da renda nacional.
Uma entrevista marcante que guardo até hoje na memória foi feita pelo presidente Bill Clinton, quando veio visitar pela primeira vez o Brasil. A repórter perguntou: “O que mais lhe impressionou no nosso país?” Ele respondeu candidamente: “O contraste! Como podem viver bem, lado a lado, milionários e favelados!”
Para resolver esta discrepante desigualdade, é necessário, fundamentalmente, interesse político. Se não for isto, continuaremos “deitados em berço esplêndido” e sempre seremos “o país dos contrastes!!”

* Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e professor universitário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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