Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 29 de março de 2021
Entre janeiro e março deste ano, a demanda nas funerárias de Porto Alegre praticamente triplicou em relação ao ano passado. O resultado são funcionários esgotados, com um plantão sem ter hora para acabar.
A média de atendimentos dos agentes funerários era de 3 a 5 óbitos por noite, na capital gaúcha. Nos últimos três meses, este número teve um aumento expressivo. Atualmente, são de 12 a 15 e, às vezes, chegam a 18 óbitos. Já os números mensais também são altos: a média era de 1 mil por mês e, em março, a previsão é chegar a mais de 3 mil atendimentos.
“É o desgaste emocional e físico da equipe, porque no meio de uma pandemia com uma triplicação no número de óbitos. A nossa equipe está muito exposta, eu calculo que é uma das profissões mais expostas ao contágio do vírus, ao lado de médicos e enfermeiros de UTI”, afirmou o diretor da Funerária São Pedro, Glauco Ribas Santos.
Dos 15 profissionais que trabalham no local, 6 estão afastados por conta da Covid-19. Para a sobrecarga não ser ainda maior, a empresa se viu obrigada a contratar agentes sem experiência. “É muito difícil tu repor um funcionário que é altamente treinado para lidar com o luto, um treinamento totalmente especializado”, disse Santos.
Nicolas é funcionário do local há um ano e um mês. Ele atuava na funerária antes da pandemia e, hoje, se depara com uma demanda jamais vista. “Tem sido bem difícil, mas a gente não pode parar porque alguém tem que fazer esse serviço”, destacou o agente funerário, Nicolas da Silva.
A empresa disponibilizou EPIs para todos os agentes funerários. São botas, luvas, roupões, visores e álcool em gel que todos os funcionários utilizam para trabalhar. Agora o próximo passo é a vacina. Associações e Sindicatos que representam o setor já protocolaram o pedido junto ao governo.
“A gente vem nessa luta desde janeiro. Porto Alegre é uma das únicas cidades que não vacinou o setor funerário ainda. A gente está falando aqui de 300 doses que cobrem todas as funerárias de Porto Alegre”, contou o diretor.
A expectativa para o executivo aceitar o pedido é grande por parte das funerárias de Porto Alegre. “E se a gente não for atendido, realmente vamos passar por sérias dificuldades”, relatou Glauco Ribas Santos.
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