Quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 2 de janeiro de 2026
Com a chegada do verão, esportes de contato e aqueles que exigem movimentos mais intensos, como futebol, beach tennis e corrida, costumam fazer sucesso, mas figuram entre os mais associados a lesões, segundo o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Isso ocorre quando esse tipo de atividade é realizado de forma ocasional e sem preparo físico. De acordo com o instituto, o sedentarismo está entre os principais fatores de risco, porque é marcado por baixo condicionamento físico.
O sobrepeso também contribui para lesões. Segundo Phelippe Valente Maia, ortopedista e coordenador assistencial do Into, essas pessoas podem ser classificadas como “atletas de fim de semana” e se mostram mais suscetíveis a problemas que vão de dores musculares a quadros mais graves, como entorses, comprometimentos ligamentares e fraturas.
O ortopedista Diego Munhoz, especialista em cirurgia do joelho pela Universidade de São Paulo (USP), explica que os atletas recreativos não têm adaptações neuromusculares suficientes para proteger as articulações. Ainda segundo ele, práticas que envolvem mudanças rápidas de direção ou impacto devem ser evitadas ou realizadas com cautela, especialmente em situações de fadiga excessiva, ausência de aquecimento, consumo de álcool, privação de sono ou quando o indivíduo apresenta dor prévia e lesões antigas.
Rotina de atividades
Segundo Bruno Butturi Varone, ortopedista pela USP e médico da ortopedia e traumatologia da Clínica Sartor, uma rotina de atividades reduz o risco de lesões.“É fundamental realizar aquecimento, com mobilidade articular e ativação muscular, respeitar limites individuais, progredir gradualmente na intensidade e duração dos treinos e manter hidratação. O fortalecimento muscular, especialmente de core, quadril e membros inferiores, é um dos pilares da prevenção.”
Para Maia, o ideal é que, antes de iniciar a atividade física, o praticante passe por ao menos uma avaliação com ortopedista ou cardiologista. Outro ponto essencial é não negligenciar dores persistentes, que costumam ser alerta precoce de sobrecarga.
O auxílio médico deve ser procurado sempre que houver inchaço importante, deformidade, instabilidade articular, bloqueio de movimento, estalos associados à incapacidade funcional ou quando a dor não melhora após alguns dias de repouso relativo, segundo Munhoz.
Incapacidade de apoiar o membro, limitação significativa de movimento ou instabilidade articular são mais sinais que indicam a necessidade de avaliação médica. O diagnóstico precoce evita o agravamento da lesão e reduz o risco de necessidade cirúrgica, completa Varone. Na maioria das vezes, as cirurgias ortopédicas relacionadas ao esporte decorrem de rupturas ligamentares, lesões meniscais instáveis, fraturas por trauma ou sobrecarga e lesões musculares graves. Grande parte, contudo, poderia ser evitada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.