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Brasil Áudios indicam que o homem acusado de matar o jogador Daniel recebeu conselhos de um policial

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Edison Brittes, assassino de Daniel, e Cristiana Brittes, sua esposa. (Foto: Reprodução/Facebook)

Antes de confessar ter matado o jogador Daniel Corrêa, em outubro, Edison Brittes Júnior, o Juninho Riqueza, recebeu conselho do policial civil afastado Edenir Canton. A informação foi divulgada pela RICTV Curitiba e confirmada pelo UOL Esporte. Em áudios de WhatsApp (ouça acima) aos quais a reportagem do UOL teve acesso, o suspeito diz ter recebido uma indicação de Canton, conhecido como Gaúcho, para contratar um advogado.

Em outra mensagem de voz, o próprio policial aconselha Juninho a não procurar o defensor Cláudio Dalledone Júnior sem antes “montar uma estratégia” de defesa. A reportagem confirmou a veracidade das gravações com pessoa próxima a Juninho.

“Juninho, sou eu, o Gaúcho. Não vai atrás do Dalledone. Vem aqui. Não vai atrás do Dalledone senão você vai tomar no c… Passa aqui que temos que montar uma estratégia técnica. Senão o Dalledone só fica na conversa, te prende e você está f…”.

Edison Brittes mandou dois áudios ao advogado Rafael Pellizzetti pedindo um encontro e citando indicação de Edenir Canton, que havia sido afastado para responder a um processo por homicídio ocorrido em 2015. Pellizzetti é advogado de Canton em caso que corre em segredo de Justiça, em Araucária, no Paraná.

Juninho: “Boa tarde, Pellizetti. Tudo bem? Juninho, indicado do Gaúcho, Edenir Canton. Posso ligar pra você?”.

Juninho: “Doutor, eu preferia encontrar o senhor pessoalmente na hora que o senhor se livrar aí, pode ser?”.

Apesar de Canton não ter sido investigado no caso Daniel, as gravações mostram a ligação próxima entre o principal suspeito do assassinato do jogador com o membro da polícia civil paranaense. Antes disso, as investigações já tinham apontado que o Veloster preto que Juninho usava no dia da morte de Daniel já havia pertencido ao policial.

O advogado Pellizetti explicou ao UOL Esporte que não aceitou defender Edison Brittes Júnior no caso Daniel. “Ele me procurou no dia 31 de outubro [quatro dias depois do crime]. Edison Brittes me relatou o que tinha corrido e em virtude da brutalidade e covardia do crime, eu entendi que não poderia fazer esse tipo de defesa e aí ele decidiu por um próximo advogado. Esses áudios foram feitos entre ele e meu celular”.

Juninho e outros cinco suspeitos permanecem presos sob suspeita de participação no assassinato.

Pellizzetti admitiu que se encontrou com Edison Brittes e a filha Allana Brittes em seu escritório antes de recusar o caso. “Edison veio com a filha no meu escritório e daqui saiu sozinho. Ninguém me ligou antes ou depois para falar a favor ou contra o Edison Brittes”.

Procurado pela reportagem, Cláudio Dalledone Júnior, que assumiria a defesa da família, disse que o áudio de Edenir que cita seu nome “ocorreu fora dos limites da acusação formal, são personagens e fatos marginais à discussão do processo”.

Sobre o áudio enviado por Juninho a Rafael Pellizzetti, Dalledone afirmou que “a defesa somente se manifestará quando e se os fatos se tornarem acusações formais”.

O advogado do policial Edenir Canton, Samuel Rangel, enviou uma nota à reportagem, na qual nega participação no caso da morte do jogador.

“Na qualidade de procurador e advogado do Senhor Edenir Canton, e tendo em vista o vazamento de áudios de supostas conversas suas com o acusado da morte do jogador Daniel, venho informar que estamos tomando conhecimento de tais áudios, e que maiores esclarecimentos serão apresentados no momento oportuno e para a autoridade competente, bastando por hora informar que não tem qualquer participação nos fatos, nem tampouco manteve qualquer conversa via seu celular ou através do aplicativo WhatsApp com o referido acusado, reiterando a intenção de colaborar com as autoridades em toda e qualquer investigação, dispondo-se a comparecer perante às autoridades competentes sempre que intimado”.

Edenir Canton é um dos acusados pelo homicídio de Ricardo Geffer, morto em 28 de abril de 2015 após uma abordagem policial, da qual o delegado Rubens Recalcatti, que depois se tornaria deputado estadual, fazia parte. A vítima era suspeita de ter assassinado João Dirceu Nazzari, ex-prefeito do Rio Branco do Sul (PR), em 12 de abril de 2015. Para os promotores, o homicídio de Ricardo Geffer foi uma execução.

Além de Recalcatti e Canton, outros seis policiais são acusados do assassinato de Geffer.

Hoje o caso está com recurso sendo analisado no Tribunal de Justiça do Paraná que avalia se o processo subirá para o STJ, já que um dos acusados é deputado. Inicialmente o processo voltaria à primeira instância. Por ser deputado, Recalcatti teria foro privilegiado. Mas no entendimento do Ministério Público a prerrogativa não se aplica por se tratar de crime cometido sem relação com a função de deputado estadual.

O criminalista Claudio Dalledone Júnior, que defende a família Brittes no homicídio de Daniel, também atua como defensor de Recalcatti no caso Geffer.

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