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Por Redação O Sul | 27 de dezembro de 2020
Aumentou a lista de países que confirmaram casos da nova variante do coronavírus identificada no Reino Unido. A confirmação da variante na França ilustra como uma epidemia se espalha.
A primeira vez que o Reino Unido culpou a linhagem pelo surto na Inglaterra foi na segunda retrasada. Uma semana atrás, o chefe de governo britânico reforçou a mesma mensagem do ministro da Saúde.
Enquanto Boris Johnson discursava, a cidadã ou cidadão francês infectado partia de Londres. Um dia depois, a França proibiu a entrada no país de quem saísse do Reino Unido. No dia 21, o teste da pessoa deu positivo: era a variante que predomina no sul da Inglaterra. Ela está isolada e sem sintomas.
Foram seis dias entre o alarme do governo britânico e o fechamento das fronteiras da França e de outros países. Mas desde novembro o Reino Unido já sabia que essa linhagem representava mais de um quarto dos casos detectados em Londres, onde fica um dos aeroportos mais conectados do mundo.
Não à toa outros países já detectaram casos da variante. Canadá, Suécia e Espanha também confirmaram no sábado (26). Japão, na sexta (25). Austrália, Islândia, Dinamarca, Holanda e Líbano detectaram antes a linhagem nos seus territórios. Muitos desses países agora exigem teste negativo recente para deixarem entrar passageiros do Reino Unido.
Ester Sabino, imunologista da USP, explica que todo vírus muda de forma. Às vezes a alteração é ruim e joga contra o vírus. Mas em outras, a mudança melhora a capacidade de infecção e ajuda o vírus a se multiplicar. A variante britânica passou por 17 mutações, e muitas delas no espinho, a chave que abre a célula para o vírus.
“O que se sabe, as indicações são de essa nova cepa cause uma transmissão mais rápida, mas não tem nenhuma indicação de que ela possa causar piora no quadro clínico. O jeito que a gente tem para controlar isso é tentar diminuir ao máximo a transmissão. É fazer os cuidados que a gente vem falando desde fevereiro: distanciamento social, uso de máscara. Esse tem que ser o foco até que as vacinas sejam usadas em larga escala”, diz Ester Sabino.
A comunidade científica internacional concorda que tudo indica que as vacinas funcionem contra as variantes catalogadas do novo coronavírus. A União Europeia começou a distribuir as vacinas da Pfizer/BioNTech. E tem gente já recebendo SMS chamando para vacinação. A mensagem de Portugal explica que a dose é facultativa, mas recomendada e gratuita.
A Itália faz a escolta da vacina ultragelada; a Espanha já destrancou o caminhão com os lotes; os franceses raspam o gelo das caixas; a Grécia confere os termômetros a 70 graus negativos. Toda a União Europeia combinou de sair junta dessa. O bloco já fechou contratos que garantem vacina para todos os 450 milhões de cidadãos europeus.
Ursula von der Leyen declarou que é hora de virar a página de um ano difícil. A presidente da Comissão Europeia disse que o momento é de tocante união: os 27 países-membros começaram a vacinação neste domingo (27). Mas a Hungria não fez cerimônia e vacinou pessoas tão logo recebeu o primeiro lote. Eslováquia não demorou para abrir os frascos e a Alemanha seguiu o mesmo caminho. Um sintoma de pressa e também de certa desunião no bloco.