Quarta-feira, 12 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 11 de agosto de 2026
Em contraponto à ausência de mulheres nas chapas que disputarão a sucessão presidencial, chama a atenção o número de candidaturas femininas ao Senado, e que, ao mesmo tempo, se revelam competitivas. A campanha só começa oficialmente no dia 16, porém, nos três maiores colégios eleitorais – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – quem encabeça as pesquisas para a Casa Alta, neste momento, são candidaturas femininas, aliadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), passou meses dizendo que queria uma mulher como sua vice, mas acabou escolhendo um homem. Ele tinha opções como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a economista Daniella Marques (Republicanos), mas a inviabilidade das alianças com os seus partidos minou os planos, ao mesmo tempo em que ele não identificou na própria legenda uma parceira de chapa.
Levantamento feito pelo Valor Econômico nas chapas anunciadas após o fim das convenções partidárias, e que estão alinhadas aos dois principais candidatos à Presidência – Lula e Flávio –, mostrou que eles contarão com 25 candidaturas femininas ao Senado nos palanques estaduais. A esquerda, entretanto lançou 18 candidaturas femininas, mais que o dobro da direita representada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que apostou em apenas sete mulheres para a Casa Alta.
Em uma conjuntura de sub-representação feminina no Parlamento, o lançamento de 25 candidaturas femininas ao Senado nas chapas dos dois candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas, por si, é uma boa notícias, porque representa quase o dobro de senadoras no exercício do mandato. Atualmente, a Casa Alta conta com apenas 15 senadoras, menos de um quinto dos 81 titulares. Desse total, dez são de direita e cinco de esquerda. Em mais de 200 anos de funcionamento do Senado, é a primeira vez que uma mulher ocupa uma vaga de titular na Mesa Diretora da Casa: a Primeira Secretária Daniella Ribeiro (PP-PB).
Ainda segundo o levantamento, do total de 52 candidatos so Senado do campo de Lula, 18 são mulheres, sendo sete do PT, e 11 dos partidos aliados: PSB, PDT, Psol, Rede Sustentabilidade e União Brasil. Vale ressaltar que, no caso do União, é uma aliança de ocasião no Amapá, onde o PT integra a coligação pela reeleição do governador Clécio Luís (União), aliado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União). O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) tenta a reeleição, enquanto a outra vaga no Senado ficou com a deputada estadual Alliny Serrão (União), presidente da Assembleia Legislativa.
O presidente do PT e coordenador-geral da campaanha de Lula, Edinho Silva, disse que não houve um direcionamento intencional para escolher mulheres para disputarem o Senado, já que a composição das chapas foi resultado “das realidades políticas locais, do diálogo entre os partidos e da busca pelos nomes mais competitivos em cada Estado”. Ele ressaltou que a prioridade do PT é reeleger Lula, mas disse que uma meta é ampliar os quadros femininos.
Do lado de Flávio Bolsonaro, dos 47 candidatos ao Senado que subirão ao palanque do presidenciável do PL, apenas sete são mulheres, sendo quatro correligionárias dele, e três de legendas aliadas: Republicanos, Podemos e PSDB. Uma delas, entretanto, é considerada um cabo eleitoral de luxo porque tem projeção nacional: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que deverá se eleger, sem dificuldade, senadora pelo Distrito Federal.
“Todo mundo sabe da minha tentativa de buscar uma mulher (para a vaga de vice), não apenas por ser mulher, mas uma pessoa qualificada para estar junto com a gente na composição dessa chapa”, disse Flávio quando anunciou Alfredo Gaspar (PL-AL) como companheiro de chapa. Ele ressaltou que tinha ao seu lado, no momento do anúncio, “as mulheres que se colocaram disponíveis para estarem com a gente nessa caminhada”, como Tereza Cristina e Daniella Marques. (Com informações do Valor Econômico)
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