Sábado, 31 de Outubro de 2020

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Mundo Autor de ataque em Paris confessa que agiu contra a revista Charlie Hebdo

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Jean Castex, primeiro-ministro da França.

Foto: Reprodução/Twitter
Jean Castex, primeiro-ministro da França emitiu alerta sobre o crescimento do coronavírus no país. (Foto: Reprodução/Twitter)

A França abriu uma investigação antiterrorismo após dois jornalistas serem esfaqueados em Paris na sexta-feira (25), próximo à antiga sede da revista satírica Charlie Hebdo. O premiê francês, Jean Castex, que se dirigiu às pressas para o local, disse que o principal suspeito foi preso e que os feridos não correm risco de morte. O autor confessou ter agido contra a revista.

A redação da publicação não fica mais no prédio, localizado na rua Nicolas-Apert, desde o atentado terrorista de 2015.

O jovem paquistanês de 18 anos disse aos investigadores que “não suportava as caricaturas do profeta Maomé”, normalmente ridicularizado pelo jornal satírico. Ao todo, quatro pessoas ficaram feridas no ataque, sendo que duas delas precisaram ser levadas ao hospital.

Os dois, um homem e uma mulher, foram atingidos por um cutelo de cozinha enquanto fumavam em frente ao prédio. Eles são jornalistas da “Première Ligne”, empresa que optou por permanecer no local mesmo com o ataque terrorista de cinco anos atrás. Já a nova sede do “Charlie Hebdo” é mantida em sigilo.

Ainda segundo fontes próximas à investigação, o suposto autor “reconheceu” o seu ato e disse que há “uma dimensão política em sua ação”.

Uma segunda pessoa também estava sob custódia após o ataque. Uma vizinha afirmou que viu sangue no chão e pessoas puxando uma mulher ferida para um prédio que abriga uma agência de notícias.

Trabalhadores que reparavam a via disseram a ela que “um homem de pele escura bateu aleatoriamente em uma senhora com uma grande faca de açougueiro”, em frente a um mural que serve como memorial às vítimas do ataque de 2015.

Uma fonte policial já havia adiantado que o principal suspeito tinha 18 anos, era conhecido dos serviços de segurança, nasceu no Paquistão e foi preso com sangue sobre ele. Uma segunda fonte disse que um cutelo foi encontrado no chão perto de uma estação de metrô.

O ataque foi realizado no que Castex disse ser um “lugar simbólico” e coincidiu com o início do julgamento de 14 supostos cúmplices do ataque de 2015. Em 2 de setembro, 14 pessoas foram a julgamento em Paris, acusadas de serem cúmplices do ataque às instalações da Charlie Hebdo em janeiro de 2015, que matou 12 pessoas.

O tribunal ouviu que o grupo havia tentado vingar o profeta Maomé, quase uma década depois de a revista publicar desenhos que satirizavam o líder religioso islâmico.

A Promotoria Nacional Antiterrorismo afirmou que está investigando o caso. “O governo está determinado, por todos os meios, a combater o terrorismo”, afirmou Castex, acrescentando que as duas vítimas do ataque estavam em uma pausa para fumar.

Ódio gratuito

Nathan Messas, que mora em frente à antiga sede da Charlie Hebdo, viu a polícia saindo de uma estação de metrô com um jovem algemado. “Mais uma vez, ódio, ódio gratuito. Estive aqui há cinco anos. Cinco anos depois, estamos de novo. Não sei quando isso vai acabar”, disse.

A polícia retirou o diretor de Recursos Humanos da Charlie Hebdo de sua casa nesta semana, após ameaças de morte.

Imagens de TV mostraram, na sexta-feira, ambulâncias, caminhões de bombeiros e policiais isolando a área ao redor da antiga sede da Charlie Hebdo. Paul Moreira, jornalista da produtora Premieres Lignes, disse à BFM TV que dois de seus colegas foram feridos. “Foi alguém que estava na via com um cutelo que os atacou em frente aos nossos escritórios. Foi assustador”, disse ele.

A França vivenciou uma onda de ataques de militantes islâmicos nos últimos anos. Em novembro de 2015, bombas e tiros atingiram a casa de shows Bataclan e outros locais ao redor de Paris, matando 130 pessoas. Em julho de 2016, um militante islâmico avançou com um caminhão sobre a multidão que comemorava o Dia da Bastilha em Nice, matando 86.

A principal líder da oposição francesa Marine Le Pen, de extrema-direita, disse que a política do governo era covarde. “Quantas vítimas teríamos evitado controlando estritamente nossa política de imigração, deportando sistematicamente pessoas ilegais ao combater o islamismo?”, tuitou ela, sem fornecer qualquer informação sobre o histórico do responsável pelo ataque.

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