Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de fevereiro de 2026
Autoridades brasileiras estão buscando obras de arte, imóveis de luxo e outros ativos na Flórida (EUA) ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master, tentando recuperar fundos após o que pode ser a maior fraude bancária da história do País.
O liquidante do Banco Master, trabalhando em nome do Banco Central, protocolou documentos no tribunal federal de falências de Miami em 29 de janeiro para intimar 22 entidades. Entre elas estão corretoras de imóveis, um banco próximo a Orlando, grandes negociantes de arte como as galerias Gagosian e Pace, e as casas de leilão Sotheby’s e Christie’s.
As autoridades buscam informações sobre ativos ligados a Vorcaro, seus sócios e algumas entidades do Banco Master. A solicitação inclui uma mansão de 2.200 metros quadrados a oeste de Orlando que o pai de Vorcaro comprou por um valor recorde de US$ 32 milhões.
Um juiz federal aprovou o pedido de falência nos EUA no fim de dezembro do ano passado, enquanto a liquidação tramitava no sistema judiciário brasileiro.
Advogados americanos de Vorcaro, principal acionista e ex-diretor-presidente do Banco Master, apresentaram uma objeção às intimações em 9 de fevereiro, argumentando que o liquidante não tinha direito de ir atrás dos bens pessoais do banqueiro, pois é o banco, e não a pessoa física, quem deve responder perante credores e depositantes. O juiz realizará uma audiência em 4 de março.
A disputa judicial em Miami oferece um vislumbre do conhecido luxuoso estilo de vida de Vorcaro. As intimações sugerem que ele foi cliente de múltiplos negociantes de arte de elite como Gagosian e Pace, que incluem obras de Jeff Koons, Pablo Picasso, Andy Warhol, Mark Rothko e David Hockney em seus catálogos de artistas representados.
Embora os registros de propriedade não mostrem que Vorcaro possuía imóveis em Miami em seu nome, o site The Real Deal reportou que ele comprou casas à beira-mar por meio de uma LLC.
A Galeria Gagosian e a Sotheby’s não responderam aos pedidos de comentário. A Christie’s e a Galeria Pace se recusaram a comentar. Advogados norte-americanos do liquidante do Banco Master também se recusaram a comentar.
Vorcaro negou irregularidades e disse que está cooperando com a polícia. Ele se recusou a comentar para esta reportagem.
A disputa de falência também pode lançar luz sobre as ambições internacionais de Vorcaro, que incluíam um plano de expandir seus negócios para os EUA.
Em poucos anos, o banqueiro transformou o Banco Master de um banco pequeno em um dos 20 maiores credores do Brasil em ativos, atraindo investidores de varejo com taxas acima do mercado em depósitos garantidos.
Ele também alcançou os escalões superiores da elite financeira e política brasileira, cultivando laços estreitos com líderes empresariais, ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), parlamentares e pessoas próximas ao presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva.
A ascensão do banco foi interrompida em meados de novembro, quando a Polícia Federal brasileira prendeu Vorcaro e quatro sócios em meio a alegações de que o Banco Master estava envolvido em uma fraude de bilhões de dólares.
No mesmo dia, o Banco Central anunciou a liquidação do banco, e autoridades dizem que o impacto no sistema de seguro de depósitos do país pode chegar a US$ 10 bilhões (R$ 52,3 bilhões).
Vorcaro era conhecido por sua predileção por ternos italianos sob medida, imóveis de luxo e festas extravagantes. Quando a polícia foi prendê-lo em São Paulo, apreendeu milhões de dólares em obras de arte, relógios e joias, além de um jato avaliado em US$ 38 milhões.
Os liquidantes do banco também planejam investigar empresas criadas pelos principais assessores de Vorcaro em Miami para oferecer serviços que vão de gestão de ativos a crédito consignado, segundo pessoas familiarizadas com o caso que pediram para não ser identificadas ao discutir procedimentos confidenciais.
Embora as pessoas não tenham nomeado os potenciais alvos, o mais proeminente dos negócios que executivos do Banco Master criaram parece ser a Salarly, uma empresa de empréstimos consignados sediada em um escritório no distrito financeiro de Brickell, na Flórida, segundo registros corporativos analisados pela Bloomberg. Ela está licenciada para operar na Flórida, Texas, Missouri e Utah, todos nos EUA.
As origens da Salarly remontam à CredCesta, uma operação brasileira de crédito consignado anteriormente pertencente ao Banco Master. Executivos do banco foram fundamentais na criação da CredCesta USA em Miami em 2023, antes de ser rebatizada no final de 2024.
Não há relatórios públicos que revelem quantos empréstimos a Salarly concedeu ou a dimensão de seus negócios. Mas documentos protocolados junto a reguladores da Flórida, 18 meses antes de as acusações de fraude se tornarem públicas, descrevem planos de gastar US$ 20 milhões ao longo de cinco anos para recrutar equipe de vendas, contratar lobistas e cobrir custos de marketing. Seria financiado inicialmente por aportes de capital do Banco Master no Brasil, mostram os documentos.
A Salarly informou aos reguladores da Flórida que não era de propriedade do Banco Master, mas o banco possuía uma nota conversível em sua controladora. A empresa não informou mais detalhes. O diretor de compliance da Salarly se recusou a comentar. As informações são da agência de notícias Bloomberg.
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