Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de fevereiro de 2026
Um voo da Latam com destino a Lisboa (Portugal) abortou a decolagem na noite do último domingo (15), no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A partida do Boeing 777-32W, com capacidade para 410 passageiros, estava prevista para 17h40min, mas foi adiada pela presença de drones nas imediações do aeroporto.
Às 19h12, quando o voo LA8146 foi liberado, a aeronave percorreu a pista e retornou, já com o trem de pouso dianteiro no ar, conforme indica a plataforma FlightRadar24.
A manobra, segundo especialistas, é considerada normal e dentro dos padrões de segurança. A velocidade máxima na qual pilotos podem desistir da decolagem é de 330 km/h. Procurada, a Latam disse apenas que “o procedimento foi efetuado em total segurança e é o protocolo previsto para esse tipo de situação”.
A suspensão da decolagem de um avião Boeing 777-300 da Latam, com capacidade para 400 pessoas, quando já iniciava a subida na noite de domingo (15) no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, na Grande SP, causou pânico entre passageiros e chamou a atenção. Um vídeo divulgado pelo canal do Youtube Aviação Guarulhos registrou o momento. Ninguém se feriu.
Especialistas ouvidos pelo g1 explicam, no entanto, que interromper uma decolagem é um procedimento normal e seguro. Essa decisão, no entanto, não é tomada de forma improvisada. Ela envolve cálculos técnicos e protocolos rígidos de segurança definidos antes mesmo de a aeronave entrar na pista. Limites são previamente estabelecidos, que variam de acordo com as condições reais do avião e do aeroporto.
Como funciona: Pelo Regulamento Brasileiro da Aviação Civil, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), toda decolagem deve ser planejada a partir de uma velocidade específica, chamada de velocidade de decisão.
Esse parâmetro define até que ponto é seguro abortar e a partir de qual momento a aeronave deve necessariamente continuar o procedimento, mesmo diante de uma falha.
Segundo a Anac, uma abortagem pode acontecer em qualquer ponto a partir do início da contagem regressiva ou decolagem. Os motivos vão de erros humanos, técnicos ou de cálculo a problemas meteorológicos ou falhas de funcionamento.
No caso do voo da Latam, a companhia aérea não informou o motivo de a decolagem ter sido abortada. Passageiros que estavam na aeronave, porém, relataram que o piloto informou que o motor havia superaquecido.
O avião já estava em alta velocidade e tinha começado a deixar o solo quando freou bruscamente. Bombeiros foram chamados para resfriar os pneus.
Segundo o comandante Décio Correa, presidente do Fórum Brasileiro para o Desenvolvimento da Aviação Civil, em relação ao Boeing da Latam, como havia a indicação de superaquecimento, não se podia arriscar.
“No caso do Boeing 777-300, como é um avião bimotor, de maneira nenhuma pode-se arriscar uma decolagem se você tem, por exemplo, alguma indicação de temperatura alta que possa comprometer. Com isso, razão total para que aborte a decolagem se há condições de abortar”, afirma Décio Correa.
Ele ressalta que abortar é um procedimento normal e qualquer aviador faria isso. “Assusta um pouco, mas é pela segurança tanto abortar quanto arremeter. Qualquer indicativo (de problema) que se tenha no avião, você deve arremeter ou abortar. Isso é o que manda o manual”, afirmou.
Correa explica que o piloto só pode tomar essa decisão após analisar uma série de fatores, como o comprimento da pista, a temperatura ambiente e o peso da aeronave. A partir desses dados, é definida uma velocidade que garante que a aeronave consiga parar com segurança.
“Para abortar uma decolagem vai depender de uma série de fatores e há uma determinada velocidade que você deve atingir para se ter uma abortagem segura, caso contrário, o avião sai da pista”, diz.
De acordo com ele, essa é a velocidade número 1, a V1, “que é aquela que você pode abortar a decolagem porque vai estar seguro e os freios vão funcionar”.
“Quando você tem uma freada enérgica, por exemplo, isso faz com que aqueça os freios. E, se o piloto retardar a decisão de abortagem, vai ter que aplicar os freios com mais energia e aí eles podem superarquecer”, diz.
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