Quinta-feira, 21 de maio de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Bactéria em produtos da Ypê oferece risco a quem tem baixa imunidade

Compartilhe esta notícia:

Não é a primeira vez que a bactéria é detectada em produtos da marca. (Foto: GAI Media)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou, durante reunião da diretoria colegiada nesta última semana, a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa nos produtos da Ypê suspensos pelo órgão na semana anterior. Não é a primeira vez que a bactéria é detectada em produtos da marca. Em novembro do ano passado, a Ypê já havia sido autuada pela Anvisa pela presença do mesmo microrganismo em itens da empresa.

A Pseudomonas aeruginosa vive na água, no solo e em superfícies úmidas. Segundo especialistas, a bactéria é considerada pouco agressiva para a maioria das pessoas. Segundo o médico Luís Fernando Correia, colunista do Pulsa, o microrganismo ameaça populações específicas, como pacientes com fibrose cística, queimados, oncológicos, transplantados, imunossuprimidos, recém-nascidos, idosos frágeis, pessoas com cateter e que estão em ventilação mecânica. “Trata-se de uma bactéria oportunista, com resistência natural a vários antibióticos.”

“A presença dessa bactéria em produtos de limpeza aumenta as chances de contaminação e pode, eventualmente, causar infecções nas populações mais suscetíveis”, explica Alberto Chebabo, médico infectologista dos laboratórios Sergio Franco, da Dasa. Ele reforça que, em pessoas saudáveis, o risco de infecção após a exposição ao produto contaminado é baixo. “Mas, eventualmente, se houver lesão na pele, algo que facilite a penetração da bactéria, pode ocorrer.”

Nos grupos vulneráveis, Correia explica que a bactéria pode causar pneumonia hospitalar grave, infecção de corrente sanguínea, sepse e até infecção ocular. Por isso, a Anvisa manteve o alerta sanitário mesmo após a Ypê ter conseguido reverter a suspensão dos produtos.

Cristiane Rodrigues Guzzo, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), explicou que esse tipo de contaminação pode afetar diretamente a eficácia dos produtos. Mas não só. “Além de perder a capacidade de limpeza, o produto pode acabar contaminando superfícies, utensílios e objetos que estão sendo lavados. Isso torna a situação preocupante”, afirmou. Segundo a especialista, a Pseudomonas aeruginosa é uma das poucas bactérias capazes de sobreviver e se proliferar em detergentes e produtos de limpeza. Ela destaca que a bactéria pode ser transmitida não apenas pelo contato com produtos contaminados, mas também por meio da exposição à água contaminada.

Em inspeção conjunta, a Anvisa, o Centro de Vigilância Sanitária paulista e a Vigilância Sanitária Municipal de Amparo identificaram 76 irregularidades no processo produtivo da Química Amparo, responsável pela Ypê. Em 7 de maio, a Anvisa determinou o recolhimento, a suspensão da fabricação, da comercialização e do uso de vários produtos da marca por falhas no sistema de garantia e controle de qualidade.

De acordo com a agência, as falhas incluem problemas graves ligados ao controle microbiológico, com identificação da Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos. No dia 8, a Ypê apresentou recurso à Anvisa com esclarecimentos e subsídios técnicos e obteve a suspensão da proibição.

Já na última sexta-feira (15), a diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu manter a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e do uso dos produtos da marca Ypê considerados irregulares.

A medida suspende o efeito do recurso apresentado pela Ypê no último dia 8 e, segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, é fundamentada em parâmetros que garantam a qualidade e a segurança dos produtos disponibilizados para uso.

“Tal entendimento se fundamenta no histórico recorrente de contaminação microbiológica envolvendo os produtos da empresa, circunstância que, inclusive, ensejou a adoção de medidas sanitárias preventivas e recolhimentos”, afirmou.

De acordo com ele, os técnicos envolvidos classificaram a situação como de elevado risco sanitário em razão de falhas em múltiplas barreiras críticas de controle responsáveis por assegurar a qualidade dos produtos saneantes. “Não se trata, portanto, de desvios pontuais de qualidade”, completou.

Reembolso

Consumidores que adquiriram produtos da Ypê incluídos na suspensão determinada pela Anvisa já podem solicitar reembolso diretamente pelos canais da empresa. Em comunicado a fabricante informou que disponibilizou um sistema para registro de pedidos relacionados aos lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes atingidos pela medida.

Segundo a empresa, o consumidor deve abrir um protocolo de atendimento para receber orientações sobre troca, reembolso ou demais procedimentos relacionados aos produtos. O cadastro exige dados como CPF, e-mail e chave Pix para devolução dos valores. O envio da nota ou cupom fiscal da compra, porém, não é obrigatório. Após o registro, o sistema gera um código para acompanhamento da solicitação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Pessoas felizes vivem mais: otimismo protege o coração, apontam pesquisas
Código de ética proíbe nutricionistas de simular resultados com inteligência artificial
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x