Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 16 de setembro de 2025
O mercado financeiro vem discutindo quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) pode baixar os juros – se neste ano, no começo de 2026 ou ainda mais adiante.
Mas o colegiado está um passo atrás: ainda avalia se a dose de juros, hoje em 15% ao ano, é suficiente para baixar a inflação para a meta, considerando a sua manutenção por um período suficientemente prolongado de tempo.
Por isso, todos os olhos no comunicado que sai na quarta-feira devem estar voltados para um trecho que diz que, para a reunião seguinte, o Copom antecipa a “continuação na interrupção no ciclo de alta de juros”.
Poucos têm dado o devido peso a essa mensagem, mas ela é importante. Nas últimas semanas, os dirigentes do Copom disseram que, de forma deliberada, fizeram uma transgressão ao estilo, usando a expressão “continuação na interrupção”, para deixar clara a sua intenção: o BC está ainda observando se os juros em 15% ao ano são suficientes, ou seja, se precisa subir mais.
Se o Copom eliminar a expressão, isso significa alguma sinalização sobre quando o ciclo de baixa na taxa Selic ocorre? Provavelmente, não. São duas decisões separadas. Uma é ver se o juro é suficiente. Outra é determinar quanto tempo tem que ficar nesse patamar.
Em duas apresentações públicas em agosto, o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, dividiu em tópicos sequenciais a sinalização futura para as decisões de política monetária.
Disse que, após um ciclo rápido e firme de elevação de juros, antecipa “continuar a interrupção do ciclo de alta para observar os efeitos do ciclo empreendido”.
De forma sequencial, seguiu dizendo: “Determinada a taxa apropriada de juros, ela deve permanecer em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”.
Assim, há duas decisões a serem tomadas. Uma é se livrar da expressão “continuação na interrupção”, o que seria um sinal de que, na visão do Copom, foi concluída a tarefa de determinar a taxa apropriada de juro.
Mas a eliminação dessa expressão, quando ela ocorrer, não se confunde com a decisão seguinte, que é determinar o que é esse período bastante prolongado.
E tem um terceiro ponto no sequenciamento: Guillen disse que o Copom “seguirá vigilante” e que “os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue apropriado”.
Essa é a comunicação – mas o que o Copom vai olhar para ir evoluindo nesse sequenciamento? No comunicado e na ata de seu último encontro, o colegiado diz que vai olhar várias coisas, de projeções de inflação a expectativas de inflação de mercado, passando por indicadores que mostram o grau de aquecimento da economia.
Mas, das mensagens passada em falas desde o encontro de julho, uma das mais interessantes foi quando o próprio Guillen discutiu as diferenças entre as projeções de inflação do Banco Central (que são mais baixas) e dos participantes do mercado (mais altas).
Guillen disse que os analistas do setor privado e o BC têm avaliações semelhantes do estado atual da economia. O consenso é que a economia está sobreaquecida.
A diferença é que o BC antecipa que haverá uma desaceleração gradual, que vai abrir um grau de ociosidade na economia e, assim, puxar a inflação para baixo. Já o consenso do mercado é que a economia seguirá sobreaquecida durante todo o horizonte relevante de política monetária.
A previsão do BC é que, até o fim de 2026, o chamado hiato do produto fique negativo em 0,8% – ou seja, abra um grau de ociosidade para baixar a inflação. Já o mercado antecipa que a economia estará sobreaquecida em 0,3% no mesmo período.
Sem confiança dos mercados de que a economia vai esfriar na medida necessária para baixar a inflação, o trabalho de ancoragem das expectativas de inflação não se completa. E o Copom vem repetindo que, “para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”. As informações são do jornal Valor Econômico.
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