Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de junho de 2026
O consumo de produtos importados no Brasil atingiu, no ano passado, o maior patamar da série histórica iniciada em 2003, representando 26,7% do total do mercado nacional. O avanço ocorre em meio a um cenário de perda de competitividade da indústria brasileira, que também registrou um dos piores resultados comerciais das últimas décadas.
Em outra análise, o levantamento aponta que a indústria de transformação brasileira encerrou o período com um déficit comercial de US$ 71,3 bilhões, o maior valor desde 1997. Os dados fazem parte de um estudo elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), que será apresentado na próxima segunda-feira, 22, a pré-candidatos à Presidência da República.
A indústria de transformação é responsável por converter matérias-primas em insumos ou produtos acabados. O processo envolve mudanças relevantes na cadeia produtiva, maior incorporação de tecnologia e geração de valor agregado. A atividade se diferencia, por exemplo, da indústria extrativista, na qual o produto comercializado é a própria matéria-prima, como minerais, madeira ou sementes.
Segundo o estudo, o aumento da participação de produtos importados no consumo brasileiro e o resultado negativo da balança comercial da indústria de transformação refletem desafios relacionados à competitividade, à integração internacional e à capacidade produtiva do país.
“Sem uma estratégia que combine defesa comercial efetiva, diplomacia econômica ativa e inserção internacional estratégica, o Brasil continuará enfrentando dificuldades para ampliar a agregação de valor das exportações”, afirmou à Coluna a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri.
A entidade destaca que a indústria brasileira precisa ampliar sua inserção em cadeias globais de produção e adotar medidas que estimulem a inovação e a competitividade. O objetivo, segundo a CNI, é discutir propostas de longo prazo para o desenvolvimento econômico do país.
O estudo “Construindo o Brasil 2050” será apresentado pela CNI aos pré-candidatos à Presidência com uma série de propostas para o próximo mandato presidencial, previsto para o período de 2027 a 2030. O documento reúne diagnósticos e sugestões em diferentes áreas consideradas estratégicas para o crescimento econômico e o fortalecimento da indústria nacional.
Já confirmaram presença na cerimônia, que será realizada em Brasília, os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). A apresentação faz parte de uma agenda da entidade voltada ao debate sobre os desafios econômicos do país nos próximos anos. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)
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