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Economia Banco Central aponta preocupação com superendividamento e cita “problema crescente” no Brasil

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De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, em dezembro de 2024, cerca de 77% das famílias brasileiras estavam endividadas

Foto: Reprodução
(Foto: Reprodução)

O BC (Banco Central) avaliou nesta segunda-feira (13), por meio do Relatório de Cidadania Financeira, que o superendividamento é um problema crescente no Brasil, afetando milhões de pessoas.

No fim de 2024, segundo o documento, 117 milhões de pessoas tinham alguma dívida com instituições financeiras, ao mesmo tempo em que 130 milhões (cerca de 74% da população com relacionamento bancário) possuíam limite de crédito disponível.

“Em quatro anos, 32 milhões a mais de pessoas passaram a ter acesso a estes produtos, um crescimento de 34%”, informou o Banco Central. A estratégia envolve unificar as dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal em uma só, que seria refinanciada com descontos que iriam de 30% a 80% nos juros, com possibilidade de os bancos chegarem a um desconto de até 90%.

Dentro do mesmo programa de refinanciamento de dívidas, o governo analisa autorizar o uso de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para pagamento de dívidas, mas com limites para evitar uma sangria dos recursos. As duas medidas foram admitidas pelo próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Uso de linhas de crédito mais caras

No Relatório de Cidadania Financeira, o BC observou que, nos últimos anos, houve “expansão expressiva de modalidades de crédito sem garantia”, ou seja, com juros maiores.

“O número de brasileiros com empréstimo pessoal mais que triplicou desde 2020 – 214% de crescimento no período, atingindo 41,7 milhões de clientes. Um segundo ponto de destaque foi o crescimento do número de clientes com dívidas no cartão (ou seja, uso do rotativo ou parcelado), de 55% entre 2020-2024, totalizando cerca de 53 milhões de pessoas em 2024”, diz o Banco Central.

Considerado vilão no endividamento do brasileiro, o uso do cartão de crédito cresceu de forma expressiva após a pandemia da Covid-19. No ano passado, os empréstimos somaram quase R$ 400 bilhões, os maiores da série histórica do BC.

O BC destacou que, entre as outras modalidades, tanto o cheque especial como o crédito consignado são usados por cerca de 24 milhões de clientes e cresceram na faixa de 20% no período.

“Os financiamentos com garantia de alienação fiduciária (imobiliário e automotivo) alcançaram pouco menos de 10 milhões de clientes cada. O financiamento automotivo, entretanto, teve crescimento de apenas 3% no período, enquanto o imobiliário cresceu 23%”, informa o BC.

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