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Economia Banco central argentino faz nova intervenção no câmbio e, em dois dias, já injetou US$ 432 milhões para segurar a cotação do dólar

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Aliado de Trump e crítico de Maduro, Milei fez diversas visitas oficiais aos EUA desde que tomou posse, em 2023, e seu governo recentemente recebeu socorro financeiro americano para fortalecer as reservas argentinas de dólares. (Foto: Reprodução)

O banco central da Argentina fez nova intervenção no mercado de câmbio nessa quinta-feira (18) após o dólar superar o teto da banda cambial do país. Ao todo, foram injetados mais US$ 379 milhões. Em dois dias, foram despejados US$ 432 milhões no mercado, e analistas estimam que as reservas líquidas do BC argentino atualmente estejam em US$ 6 bilhões.

Apesar da intervenção do governo no mercado, o dólar oficial fechou a 1.474,23 pesos, bem perto do limite da banda cambial para hoje, que é de 1.474,83 pesos.

O dólar chegou a 1.474 pesos às 11h50, no horário local. A banda cambial é ajustada diariamente, e o limite superior do peso para esta quinta-feira é de 1.474,83. Mas o sistema oficial de negociações do país só permite ofertas de compra e venda de dólares com diferenças de preços de 50 centavos e, por questões práticas, o banco central arredonda o número — com isso, na prática, o limite da banda de quinta-feira poderá ser considerado pelo BC local como de 1.475 pesos.

Na terça-feira, o BC argentino vendeu US$ 53 milhões no mercado de câmbio, mostraram os dados diários sobre reservas internacionais do país divulgados no fim da noite. A intervenção foi a primeira após o país ter adotado um regime de banda cambial numa tentativa de liberalizar seu confuso mercado de câmbio, que há décadas funcionava com taxas controladas pelo governo.

Num dia de forte nervosismo nos mercados, os títulos argentinos estavam sendo negociados com perdas e o risco-país superou os 1.300 pontos, chegando 1.337, o maior patamar em um ano.

A necessidade de intervir no câmbio foi mais um revés para o presidente Javier Milei, que enfrenta uma crescente perda de popularidade e uma deterioração nos indicadores econômicos — também na quarta-feira, foi divulgado que o PIB argentino se contraiu em 0,1% no último trimestre.

Até quarta-feira, a autoridade monetária argentina não havia atuado diretamente para reforçar o peso desde que Milei fechou um pacote de socorro de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em abril. Nesse arranjo, o banco central de Milei suspendeu alguns controles cambiais e concordou em deixar o peso flutuar livremente dentro de uma banda estabelecida, que se expande gradualmente em 1% ao mês.

Uma vez que o peso atinge o piso ou o teto da banda, as autoridades monetárias estão autorizadas, segundo o acordo com o FMI, a intervir diretamente.

Até então, o governo Milei vinha recorrendo a outros instrumentos para segurar a taxa de câmbio, como, por exemplo, operações no mercado futuro ou exigências maiores de depósitos compulsórios por parte dos bancos do país.

As bandas definidas pelas autoridades no acordo com o FMI vão se ampliando gradativamente, 1% ao mês em cada direção, de forma escalonada diariamente. Usando esse cálculo, o peso ultrapassou o limite superior de 1.474,345 por dólar na quarta-feira, quando foi negociado a 1.474,50 por dólar.

No entanto, o sistema oficial de negociação da Argentina só permite ofertas de compra e vendas de dólar com até duas casas decimais (ou seja, de 50 centavos em 50 centavos). Isso faz com que, na prática, o banco central arredonde a cotação do peso no limite superior da banda cambial.

Assim, pelo critério de arredondamento feito pelo banco central argentino, o limite máximo da banda cambial na quarta-feira seria exatamente de 1.474,50 por dólar.

Ou seja, a autoridade monetária negou que tivesse havido rompimento da banda cambial porque, do seu ponto de vista, o limite não teria sido rompido. Apesar disso, os dados diários das reservas cambiais divulgados no fim da noite confirmam que houve uma intervenção no mercado de câmbio — o que, pelo acordo com o FMI, só pode ocorrer quando as cotações ultrapassam o limite máximo da banda cambial.

A intervenção no câmbio reflete as tensões crescentes no mercado argentino, com o governo Milei tentando conter a inflação, ao mesmo tempo em que precisa preservar suas reservas em dólar para que o governo continue pagando suas dívidas, inclusive com o FMI. O Fundo demonstrou preocupação, nos bastidores, de que o dinheiro liberado no seu pacote recorde de socorro ao país acabasse sendo “torrrado” para segurar o dólar.

Com as eleições parlamentares do país a poucas semanas de distância, o presidente tenta projetar estabilidade econômica para conquistar mais apoio no Congresso e avançar com sua agenda de reformas econômicas. Por isso, analistas do mercado acreditam que as intervenções no câmbio devem continuar:

“A esta altura, eles precisam avançar e há munição para defender a banda em uma primeira fase”, disse Alejandro Cuadrado, estrategista do BBVA em Nova York.

Paula Gandara, diretora de investimentos da Adcap Asset Management, em Buenos Aires, também acredita que a pressão no mercado deve continuar elevada diante da proximidade das eleições legislativas nacionais da Argentina em 26 de outubro.A moeda vai permanecer no teto da banda”, afirmou. As informações são da agência de notícias Bloomberg.

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