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Economia Serasa é acusada de uso indevido de dados biométricos

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A empresa de identidade digital e biometria facial Unico acusa a Serasa Experian de utilizar, de forma indevida, sua tecnologia. (Foto: Reprodução)

A empresa de identidade digital e biometria facial Unico acusa a Serasa Experian de utilizar, de forma indevida, sua tecnologia. De acordo com pessoas ouvidas pelo jornal Folha de S.Paulo, isso teria permitido que a empresa fizesse milhões de consultas relacionadas a dados biométricos de brasileiros.

O caso é alvo de ações nas esferas cível e criminal e tramita sob segredo de Justiça. Conforme relatos obtidos pela reportagem, as acusações resultaram no cumprimento de um mandado de busca e apreensão contra a Serasa por peritos criminais em São Paulo na quarta-feira (11). A informação foi antecipada pelo jornal Valor Econômico.

Em nota, a Serasa Experian negou a acusação. “O processo tramita em segredo de Justiça e, por isso, (a empresa) ainda não teve acesso a ele para saber exatamente do que se trata”, afirmou. “A empresa reforça que atua com estrita observância à legislação aplicável e que se manifestará oportunamente no processo, momento em que esclarecerá tudo o que for necessário”.

A Serasa Experian é uma empresa que automatiza análise de crédito, prevenção a fraudes e cobrança, permitindo que empresas avaliem o risco de clientes através do “score” (pontuação) e renegociem dívidas.

Já a Unico usa biometria facial e IA (inteligência artificial) para validar identidades em tempo real, protegendo cadastros e transações em bancos, ecommerces e apps contra golpes de roubo de dados e deepfakes.

Segundo pessoas com conhecimento da acusação, a Unico alega que a Serasa teve acesso a consultas de validação de identidade baseadas em reconhecimento facial de milhões de clientes de bancos que utilizam sua tecnologia. A acusação não envolve dados bancários, como saldos, extratos, transações ou informações de crédito desses clientes, mas sim dados relacionados aos processos de verificação biométrica e facial usados para confirmar a identidade dos usuários.

A prática teria como objetivo contribuir para o aprimoramento dos sistemas de identificação oferecidos pela Serasa e pela ClearSale —empresa de inteligência de dados incorporada e adquirida pela Serasa em 2025—, e aumentar a base de identidades válidas das empresas.

A Serasa e a ClearSale teriam acessado serviços da Unico por meio da Skill Tecnologia, firma que possuía autorização para utilizar a plataforma exclusivamente em operações do Banco do Brasil.

Em nota, o BB diz que “acompanha o caso, que envolve outras instituições, e destaca que sua operação e os dados de seus clientes seguem em normalidade e segurança”.

De acordo com pessoas a par do assunto, a Unico identificou um crescimento incomum no volume de consultas atribuídas ao banco. Ao questionar o Banco do Brasil, teria sido informada de que não havia aumento equivalente em suas operações. A partir daí, iniciou uma investigação própria.

A investigação apontou que consultas relacionadas a outros clientes estariam sendo processadas por um canal destinado exclusivamente ao banco público. A suspeita da companhia é que esse mecanismo tenha permitido o uso não autorizado da tecnologia e de dados gerados nas validações biométricas.

Um laudo pericial contratado pela acusação ainda teria identificado ao menos 1,4 milhão de transações consideradas irregulares. A estimativa da empresa é de que o potencial de consultas envolvidas possa alcançar dados de até 22 milhões de brasileiros.

Na esfera judicial, a Unico acusa a Serasa Experian de concorrência desleal, uso indevido de informações confidenciais e obtenção irregular de vantagem tecnológica. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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