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Economia Taxa Selic: ata do Copom foi mais cautelosa, ainda compatível para novos cortes de juros

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) definiu na semana passada o novo patamar de juros do Brasil. (Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

A ata da reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nessa terça-feira (11), reforçou a necessidade de manter a taxa Selic em nível restritivo, mas não fechou a porta para a continuidade gradual do ciclo de cortes. Economistas avaliaram que o documento preservou a cautela do comunicado divulgado na semana passada, com diferenças sobre a intensidade do tom adotado pelo Banco Central.

Na reunião, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo dessa magnitude. Na ata, o colegiado reconheceu que os efeitos da política monetária contracionista sobre a atividade estão se acumulando e contribuindo para a desinflação. Ressalvou, porém, que a inflação continua pressionada pela demanda.

O Banco Central também deu maior destaque aos choques de oferta. O Comitê afirmou que não deve reagir aos efeitos primários, como uma alta imediata dos combustíveis, mas que acompanhará possíveis efeitos de segunda ordem e agirá com firmeza caso essas pressões se espalhem para outros preços.

Para a Warren, a ata apresentou tom mais duro, ou hawkish, ao enfatizar a desancoragem das expectativas, a assimetria altista do balanço de riscos e a necessidade de preservar juros restritivos. A instituição avalia, contudo, que o nível elevado da Selic e seus efeitos crescentes sobre a economia ainda permitem novos cortes de 0,25 ponto percentual.

A leitura é que o BC procura manter flexibilidade para calibrar os juros sem antecipar a próxima decisão. A Warren também destacou a moderação da atividade no segundo trimestre, a desaceleração da ocupação e a redução da inflação corrente, embora o mercado de trabalho continue apertado e os rendimentos reais cresçam acima da produtividade.

O Itaú BBA considerou a ata amplamente alinhada ao comunicado, sem mudanças relevantes no diagnóstico. Entre as novidades, apontou a retirada da referência à desaceleração do crédito e a maior ênfase nos choques de oferta, que podem incluir os impactos do petróleo e do El Niño sobre alimentos e energia.

O banco também chamou atenção para o esforço do Copom em compreender as causas da recente deterioração das expectativas de inflação. Seu classificador de sentimento identificou uma comunicação mais conservadora, mas ainda próxima da neutralidade. Mesmo sem uma sinalização clara sobre os próximos passos, o Itaú manteve a expectativa de novo corte na próxima reunião.

Roberto Troster, coordenador do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras (Cefeb), concentrou sua crítica na interação entre juros e dívida pública. Segundo ele, o Copom acerta ao mostrar como a incerteza fiscal eleva o prêmio de risco e a taxa neutra, mas não desenvolve o efeito inverso: uma Selic elevada também aumenta o serviço da dívida e contribui para o crescimento do endividamento.

Em conjunto, as avaliações indicam que a ata não alterou substancialmente o cenário para a política monetária. Um novo corte de 0,25 ponto percentual permanece possível, mas dependerá da evolução da inflação, da atividade, do mercado de trabalho, das expectativas e das contas públicas. O Copom reconhece avanços na desinflação, mas ainda não parece disposto a acelerar a flexibilização. As informações são do site Investing.

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