Domingo, 08 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de janeiro de 2026
O Banco Central decretou nessa quarta-feira (21) a liquidação do Will Bank, banco digital do grupo Master, que estava desde novembro sob regime de administração especial temporária.
O Will Bank foi preservado quando o BC anunciou a liquidação do Banco Master, em 18 de novembro, diante da avaliação de que naquela época havia investidores interessados em adquirir a instituição, o que acabou não se concretizando. O regime especial poderia ser mantido por até 120 dias.
A negociação para a venda do banco fracassou porque o principal comprador queria um aporte a fundo perdido —ou seja, sem previsão para pagamento— de R$ 5,5 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para adquirir a instituição financeira do grupo Master.
De acordo com o regulador, porém, não foi possível encontrar uma solução para o banco, depois que o Will deixou de pagar participantes da cadeia de cartão de crédito, incluindo a bandeira Mastercard.
Em ato assinado pelo presidente Gabriel Galípolo, o BC justifica a liquidação da instituição pelo “comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master”.
A liquidação é adotada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.
O regime especial para o banco foi decretado na época na tentativa de buscar um comprador, o que minimizaria o impacto da quebra do banco no FGC, fundo formado com aportes das instituições financeiras que garante até R$ 250 mil por investidor, como os CDBs (Certificado de Depósitos Bancários) emitidos pelo Willbank.
O problema, segundo pessoas a par do tema, é que o “dinheiro acabou” e o banco digital não tinha mais como honrar as suas dívidas elevadas. Uma dessas pessoas resumiu o quadro da seguinte forma: as grades foram furadas e a Mastercard disse que não daria mais crédito ao banco.
Como revelou a Folha na tarde de terça-feira (20), o Mastercard decidiu suspender a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank depois de o banco não honrar pagamentos. Transações feitas por consumidores não foram honradas pelo banco junto a diversos participantes da indústria de cartões.
Além disso, a bandeira executou garantias ligadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista de móveis Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
Foi a gota d’água para a liquidação. Com essa decisão, já se esperava a liquidação do Will Bank.
Com a liquidação, o FGC deve reembolsar R$ 6,3 bilhões a clientes do Will Bank, valor que soma-se aos mais de R$ 40 bilhões que serão devolvidos a investidores do Master.
O grupo Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do sistema financeiro nacional, segundo o BC. O conglomerado, que tinha o Banco Master como instituição líder, era classificado pelo regulador como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial —de 0,1% a 1% do PIB (Produto Interno Bruto).
No regime de administração especial temporária, as atividades do banco são preservadas, apesar de seus dirigentes perderem o mandato. No caso da liquidação, o funcionamento da instituição é interrompido, e a instituição é retirada do sistema financeiro nacional. Com o ato, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.
O BC argumentou em nota que, quando decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu como “adequada e aderente ao interesse público” a imposição do regime de administração especial temporária ao Master Múltiplo, “ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira”.
A autoridade monetária disse que, entretanto, essa solução “não se mostrou viável”, citando que se verificou na segunda-feira (19) o “descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard” e o consequente bloqueio de sua participação.
“Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”, acrescentou o BC.
O dia 24 de novembro de 2025 foi indicado como termo legal da liquidação extrajudicial da Will Financeira. A legislação brasileira prevê que o intervalo entre a data do termo legal e o dia em que a liquidação foi efetivamente decretada não pode ser superior a 60 dias.
Nesse período delimitado, o liquidante pode buscar na Justiça a revisão de atos que eventualmente tenham sido danosos. O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) usa a data da liquidação —dia 21 de janeiro no caso do Will Bank— como base para ressarcir os investidores elegíveis.
O Banco Central informou que continua tomando as medidas cabíveis para apurar responsabilidades nos termos de suas competências legais. “O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”.
Criado em 2017 e comprado pelo Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões de ativos, um prejuízo de R$ 244,7 milhões e um patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central.
Uma venda do Will Bank, como antes era esperado, teria o potencial de reduzir as perdas do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que vai pagar até R$ 250 mil a 800 mil investidores de Certificados de Depósito Bancário (CDB) e outros títulos garantidos emitidos pelo Master, somando um total de R$ 40,6 bilhões, na maior indenização já feita pelo fundo. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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