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Economia Banco Central mantém Selic em 2% ao ano, mas economistas veem alta de juros em 2021

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Taxa básica de juros da economia fica inalterada pelo Copom.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Presidente manteve autorização para dirigentes exerçam outros cargos e adquiram ações. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Mesmo com a alta recente da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a Selic (a taxa básica da economia) em 2% ao ano. Esta é a quarta vez que a Selic não sofre alteração, após nove cortes consecutivos. Com isso, a taxa se manteve no piso da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.

O colegiado, no entanto, retirou o “forward guidance” – prescrição futura, no jargão inglês – adotado desde agosto que estabelecia condições sob as quais o Copom se comprometia a não elevar os juros.

A decisão desta noite era largamente aguardada pelo mercado financeiro. De um total de 58 instituições, todas esperavam pela manutenção da Selic em 2% ao ano. Para o fim de 2021, as casas esperam desde uma Selic estável em 2% até um aumento dos juros a 4,75% ao ano. A projeção mais comum é que a taxa acabe 2021 em 3,50%.

Ao justificar a decisão de hoje, o BC avaliou que manutenção da Selic em 2% ao ano é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021 e, principalmente, o de 2022.

Sobre a retirada do “forward guidance”, o BC informou que as condições deixaram de ser satisfeitas já que as expectativas de inflação estão próximas da meta. Desde agosto do ano passado, o Copom passou a usar o instrumento se comprometendo a não elevar os juros de acordo com três condições: projeções de inflação abaixo da meta no horizonte relevante, manutenção do regime fiscal e expectativas de longo prazo ancoradas. Na reunião de dezembro, o Copom já havia sinalizado que o “forward guidance” seria abandonado “em breve”.

Segundo o BC, isso não significa, no entanto, que haverá uma elevação da taxa de juros, “pois a conjuntura econômica continua a prescrever, neste momento, estímulo extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade”.

As dúvidas sobre a possibilidade de o BC manter a Selic em 2% ao ano por muito tempo se ampliaram recentemente. Isso porque dados mostraram uma inflação acelerada. O IPCA – índice oficial de inflação – fechou dezembro com alta de 1,35%. Gastos com alimentação e preços administrados (como energia elétrica) têm pressionado o índice. No acumulado de 2020, houve alta de 4,52%. Neste cenário, com uma inflação mais alta, o BC seria obrigado a subir os juros.

Com expectativas de inflação mais elevadas, o mercado financeiro vem projetando o reinício da alta de juros para meses mais próximos. Conforme o Relatório de Mercado Focus, que compila as projeções das instituições financeiras, a expectativa mediana é de que a Selic suba em agosto deste ano. Estes cálculos, porém, foram feitos antes da decisão de hoje do Copom.

O centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2% a 5%).

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