Quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Por Carlos Roberto Schwartsmann | 14 de outubro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Beijar a mão tem diferentes significados culturais. É difícil encontrar, na história, quando nasceu este gesto.
Pesquisando, provavelmente surgiu na Europa medieval, quando os vassalos eram obrigados a beijar a mão dos reis, dos imperadores e dos membros do clero.
Ao inclinar a cabeça para beijar a mão, é necessário fletir o tronco. Adota-se uma postura de rebaixamento, que confere respeito, submissão e lealdade. Na análise da linguagem corporal, isto é, da comunicação não verbal, trata-se de um gesto forte que traduz afeto e carinho.
Beijar a mão do pai é um gesto tradicional de amor e pedido de bênção. É um desejo de receber proteção familiar e espiritual.
Outras vezes, beijar a mão pode ser um galanteio. É um gesto de elegância, mas também é um aceno sutil de interesse amoroso.
Nós, médicos, estamos acostumados a receber diferentes símbolos de gratidão: alimentos frescos, queijos, frutas, lembranças artesanais. Uma laranja, um bombom, uma bala. Cartões impressos ou escritos à mão.
Às vezes, o agradecimento pode ser equivalente ao que o paciente tem no banco.
Lembro que, certa vez, um colega foi surpreendido ao chegar em casa, quando o zelador, sorrindo, lhe notificou: “Há um presente no seu box!!”.
Jamais imaginou que ali estava um carro zero-quilômetro embrulhado com fita vermelha!!
Era um presente magnânimo para alguém que ofereceu a cura para uma doença considerada, até então, rapidamente mortal e incurável.
Entretanto, muitas vezes, o paciente se surpreende consigo mesmo por estar de mãos vazias no momento da despedida e querer agradecer a dedicação, a competência e a compaixão. Então, curva-se e beija a mão. É uma forma de conexão mais humanista. O paciente não enxerga o médico como especialista, mas, sim, como um ser humano que tratou o outro.
Beijar a mão na medicina é um momento de extremo carinho.
O paciente jamais imaginou que este gesto espontâneo de beijar a mão tem um significado muito especial para o médico. Na verdade, não é um beijo na mão, é um beijo no coração. É um beijo de gratidão, que significa:
“Doutor, o senhor me devolveu a alegria de viver!”

* Carlos Roberto Schwartsmann – médico e professor universitário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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