Domingo, 03 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 22 de julho de 2025
A despedida, agora, ganha um novo peso: foi também o adeus definitivo de Ozzy Osbourne aos palcos.
Foto: ReproduçãoOzzy Osbourne, que morreu neste terça-feira (22) aos 76 anos, teve uma despedida emocionante dos palcos em um show histórico com o Black Sabbath, realizado em 5 de julho na cidade inglesa de Birmingham, sua terra natal. O evento, batizado de “Back to the Beginning”, marcou a última apresentação do lendário vocalista e também o reencontro da formação original da banda — algo que não acontecia há duas décadas.
Quase seis décadas após ajudarem a fundar o heavy metal com um som sombrio e inovador, Osbourne e seus ex-companheiros — Geezer Butler, Tony Iommi e Bill Ward — emocionaram os fãs em um espetáculo repleto de simbolismo, realizado no estádio Villa Park. O show teve todos os lucros revertidos para a caridade e foi promovido como a derradeira performance de Ozzy, que já enfrentava sérias limitações físicas causadas pelo Mal de Parkinson, diagnosticado em 2020.
Sentado em um trono preto, Osbourne parecia comovido enquanto entoava sucessos de sua carreira solo como “Crazy Train”, sendo ovacionado por uma multidão vestida de preto que celebrou o legado do cantor. “Vocês não têm ideia de como me sinto. Obrigado do fundo do meu coração”, disse o artista durante o show.
O dia foi marcado por homenagens de mais de uma dezena de bandas e artistas que subiram ao palco antes do Sabbath, incluindo Metallica, Slayer, Tool e Guns N’ Roses. James Hetfield, vocalista do Metallica, foi direto ao ponto ao reconhecer a importância da banda para o gênero: “Sem o Sabbath não haveria Metallica. Obrigado, rapazes, por nos darem um propósito na vida”.
Grandes nomes do rock também participaram da celebração, como Ronnie Wood (Rolling Stones), Steven Tyler (Aerosmith), David Ellefson (Megadeth), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e Tom Morello (Rage Against the Machine), que atuou como diretor musical do espetáculo. Em entrevista à revista Metal Hammer, Morello havia dito que seu objetivo era criar “o maior dia na história do heavy metal como uma homenagem à banda que começou tudo”.
O momento mais esperado foi o reencontro do Black Sabbath, com a formação clássica tocando quatro músicas marcantes: “War Pigs”, “Paranoid”, “Iron Man” e “Children of the Grave”. Bill Ward, sem camisa, retornou à bateria, enquanto Osbourne liderava o quarteto como em seus primeiros anos, encerrando um ciclo com dignidade e força.
Lisa Meyer, cofundadora do projeto Home of Metal e organizadora de uma exposição sobre a banda em 2019, lembrou como o grupo ofereceu uma alternativa ao otimismo da música hippie nos anos 1960. “Eles deram voz à raiva, ao medo e à frustração de uma geração, de forma catártica. E isso permanece vivo”.
No fim do espetáculo, a sensação era de encerramento e gratidão. Tom Mould, um jovem aprendiz de engenharia que ficou na grade por 12 horas, sintetizou o sentimento dos presentes: “Ele ainda tem tudo o que é preciso. Foi inesquecível”.
A despedida, agora, ganha um novo peso: foi também o adeus definitivo de Ozzy Osbourne aos palcos — um fim digno para um artista que moldou a história do rock e cujos gritos continuarão ecoando por gerações.
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