Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

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Brasil Bolsonaro afirma a embaixadores islâmicos que o Brasil é amigo de todos os países sem exceção

A declaração de Bolsonaro é um aceno à comunidade árabe, com quem o Brasil tem fortes laços comerciais. (Foto: Alan Santos/Presidência da República)

Em jantar na noite desta quarta-feira (10) com embaixadores de países árabes e de maioria islâmica, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que espera que os laços comerciais que o Brasil tem com essas nações se transformem em “laços de amizade, de respeito e de fraternidade”. “Que esses laços comerciais cada fez mais se transformem em laços de amizade, de respeito e de fraternidade. Muito obrigado a todos vocês e o nosso governo está de braços abertos a todos, sem exceção.”

A fala foi feita em um breve discurso do presidente, que durou menos de dois minutos, em um evento organizado pelo Ministério da Agricultura e pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura). Apesar de curta, a declaração de Bolsonaro é um aceno à comunidade árabe, com quem o Brasil tem fortes laços comerciais, em especial na exportação de proteína animal. A relação entre o país e o grupo ficou estremecida após aproximação do governo brasileiro com Israel, para onde o presidente viajou na semana passada. Bolsonaro anunciou durante a visita que o Brasil criaria um escritório comercial em Jerusalém, terra de disputa entre palestinos e judeus.

Ainda durante o jantar, Bolsonaro disse que pretende viajar a países árabes, mas não mencionou datas nem para quais. “O Brasil é um País onde tem gente do mundo tudo. E aqui todos vivem muito bem e eu fico feliz, há algum tempo tenho andado pelo mundo e pretendo visitar alguns países dos senhores brevemente. E eu tenho a certeza de que encontraremos brasileiros também na terra dos senhores”, afirmou.

O presidente da República disse ainda que o Brasil prima pela “democracia e pela liberdade” e que com esse sentimento cumprimentava os representantes dos 36 países do mundo árabe e de expressiva população islâmica que compareceram ao evento. Foram convidados ao todo 41 embaixadores e apenas cinco não compareceram: Emirados Árabes, Benin, Mali, Albânia e Suriname. O setor do agronegócio tem forte interesse em que o Brasil mantenha uma boa relação com os países árabes e teme que a aproximação do atual governo com Israel abale as relações comerciais.

De acordo com dados divulgados pela CNA, os países islâmicos ocupam o terceiro lugar entre os importadores de produtos do agronegócio brasileiro. As exportações brasileiras para a região somaram US$ 16,4 bilhões em 2018. O jantar foi agendado justamente para contrabalancear a visita de Bolsonaro a Israel. Durante sua passagem pelo país, Bolsonaro fez diversas manifestações pró-Israel e visitou o Muro das Lamentações ao lado do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, numa agenda que irritou os palestinos. ​

Quando o jantar começou a ser organizado, não estava prevista a participação de Bolsonaro, mas o presidente confirmou presença nos últimos dias. Desde a campanha, o presidente acena com uma aproximação a Israel e chegou a prometer transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, a exemplo do que fizeram os EUA.

Embora a abertura de um escritório comercial seja um recuo em relação ao prometido no processo eleitoral, o alinhamento à política israelense no Oriente Médio é motivo de apreensão entre países árabes e islâmicos. Ele chegou a também a criticar a proximidade da embaixada da Palestina ao Palácio do Planalto, de onde despacha diariamente, mas desde que assumiu o cargo não voltou a falar no assunto.

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