Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de novembro de 2018
O presidente eleito Jair Bolsonaro será reavaliado por médicos no dia 19 de janeiro, para definir a data da cirurgia de retirada da bolsa de colostomia, que foi adiada para depois da posse. O procedimento pode ocorrer no dia seguinte.
Na sexta-feira (23), ele esteve no hospital Albert Einstein, mas a cirurgia foi adiada devido ao quadro de infecção no local. “Fiz nova avaliação e a decisão da equipe médica foi marcar para o dia 19 de janeiro novamente em São Paulo. Se tiver condições, tendo em vista o grave quadro de infecção, eu opero no dia 20. Caso contrário, será novamente adiado”, disse Bolsonaro, em entrevista após cerimônia na Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio.
Na cerimônia, Bolsonaro passou cerca de duas horas de pé, com direito a marcha no fim ao lado de autoridades e companheiros do Exército. O presidente reconheceu que descumprir “um pouquinho” as ordens médicas.
“Reconheço que desobedeci um pouquinho a recomendação médica. Afinal de contas, essa vibração aqui é muito bem-vinda e ajuda na minha recuperação”, afirmou Bolsonaro. Bolsonaro é paraquedista de formação e comparece todos os anos à cerimônia.
Neste sábado, já como presidente eleito, foi acompanhado pelo futuro ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, e pelo futuro chefe do gabinete de Segurança, general Augusto Heleno. O governador eleito do Rio, Wilson Witzel, e o chefe da intervenção federal no Estado, general Walter Braga Netto, também participaram do evento.
Futebol
Bolsonaro está avaliando assistir ao jogo Vasco X Palmeiras neste domingo (25) no estádio São Januário, na zona norte do Rio. Uma vitória garante ao time paulista que título brasileiro. “Estou decidindo ainda. O pessoal sabe que sou palmeirense e existe uma afinidade muito grande entre as torcidas do Vasco e do Palmeiras”, disse ele.
A segurança, porém, deve pesar na decisão, já que São Januário tem sido palco de diversos confrontos entre torcedores. Na quinta-feira (22), a polícia anunciou aumento do efetivo para a partida em 60 homens, chegando a 280, diante do risco de confusão.
Quadro normal
O quadro de saúde do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), descrito em boletim médico divulgado na sexta-feira (23), é normal em pacientes que passaram por situações semelhantes.
O deputado se submeteu a exames pré-operatórios no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e os médicos decidiram adiar a cirurgia para retirada da bolsa de colostomia que ele carrega desde setembro, quando sofreu um ataque a faca durante a campanha. Inicialmente, o procedimento seria feito em dezembro, antes da posse dele na Presidência.
No comunicado, o hospital informou que Bolsonaro está bem clinicamente, mas ainda enfrenta uma inflamação do peritônio e um processo de aderência entre as alças intestinais (quando os tecidos grudam um no outro). A equipe que atendeu o político só se pronunciou por meio do boletim.
“Adiar esse tipo de cirurgia nunca vai ser visto como imprudente”, diz o cirurgião do aparelho digestivo Diego Adão Fanti Silva. “A recuperação seria mais lenta se fosse feita agora.”
De acordo com ele, o termo inflamação é usado genericamente para descrever o processo de resposta do sistema imunológico a traumas como os que acometeram o presidente eleito —a facada em si e as duas cirurgias que ele fez depois do ferimento.
A inflamação pode durar mais tempo se houver agravantes como perda de sangue e idade avançada, como no caso de Bolsonaro, afirma Silva, que trabalha na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). “Sempre que possível, não se opera uma pessoa na fase inflamada, que pode durar de dois a seis meses, variando em cada paciente.”
As aderências das alças do intestino (partes que ficam coladas) também são esperadas, na avaliação do cirurgião. “A vantagem de esperar para mexer na área é porque aí as aderências já estão mais frouxas, então há menos risco de acontecer algum acidente na cirurgia, como uma lesão de intestino”, diz o médico.
Segundo os especialistas, a retirada da bolsa de colostomia (recipiente que coleta as fezes do paciente) pode ser postergada até que a pessoa esteja com um estado de saúde favorável para passar pelo procedimento de reconstrução do intestino.
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