Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2020
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atribuiu nesta segunda-feira (4) a “alguns possíveis infiltrados” as agressões a jornalistas na manifestação que ocorreu no domingo (3) em frente ao Palácio do Planalto. Em uma rede social, também fez novos ataques à TV Globo.
“A TV Globo no Fantástico de ontem [domingo, 3] se dedicou a ataques ao presidente Jair Bolsonaro, pelo fato de um fotógrafo do Jornal O Estado de SP ter sido agredido por alguns possíveis infiltrados na pacífica manifestação”, escreveu o presidente.
Bolsonaro disse condenar a violência e afirmou não ter visto a agressão, embora um assessor seu tenha dito a ele, no alto de rampa do Planalto, que uma equipe da Globo estava sendo expulsa da manifestação.
“Também condenamos a violência. Contudo, não vi tal ato, pois estava nos limites do Palácio do Planalto e apenas assisti a alegria de um povo que, espontaneamente, defendia um governo eleito, a democracia e a liberdade”, escreveu.
Em seguida, em rápida conversa com apoiadores diante do Alvorada, Bolsonaro chamou o ato de “uma manifestação espontânea da democracia” e atribuiu as agressões a “algum maluco” que, segundo ele, “deve ser punido”.
“Vocês viram que o Fantástico deu um espaço enorme para me criticar. Teria havido uma agressão lá. Teria havido, não sei. Nós condenamos qualquer agressão”, disse Bolsonaro. “Eu não vi nada, eu estava dentro do Palácio, estava na rampa, não vi. Recriminamos qualquer agressão que porventura tenha havido. Se houve agressão, alguém que está infiltrado, algum maluco, deve ser punido. Não existe agressão da nossa parte. Agora, vaia, apupo, isso é natural da democracia”, disse aos apoiadores.
Aos apoiadores e, depois, aos jornalistas, Bolsonaro mostrou um papel em sua mão onde estava impressa a conversa de WhatsApp entre ele e o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro. O trecho foi apresentado por Moro no dia 24 de abril ao Jornal Nacional. Nesta segunda, dez dias depois da acusação, ele chamou a mensagem de fofoca.
“Esta é a acusação mais grave contra a minha pessoa. Tem um print da matéria do Antagonista. Eu escrevi embaixo ‘mais um motivo para troca’. Estão me acusando por causa disso, dizendo que estou interferindo na Polícia Federal. Não é isso? Eu estou dizendo que é fofoca embaixo, tá ok? O complemento vem depois”, disse Bolsonaro.
“Não vou falar com a imprensa. Apenas mostrar para vocês, tem aqui um print do Antagonista. Está escrito embaixo ‘mais um motivo para troca’. Realmente eu escrevi isso embaixo, tá ok? Embaixo desta matéria. E estou dizendo que isso é fofoca, tá legal?”, indagou aos jornalistas, sem permitir perguntas.
No domingo, manifestantes pró-governo Jair Bolsonaro agrediram, ameaçaram e expulsaram jornalistas que cobriam o ato na rampa do Palácio do Planalto realizado neste domingo com a presença do presidente da República.
Enquanto o presidente acenava para apoiadores, o grupo passou a dirigir ofensas ao repórter fotográfico Dida Sampaio, de O Estado de S. Paulo, que registrava o momento.
Um grupo se formou ao redor do fotógrafo, que foi derrubado por duas vezes e chutado pelas costas, além de tomar um soco no estômago. Além dele, o motorista do jornal, Marcos Pereira, também foi agredido.
Outros repórteres e profissionais de imprensa foram então empurrados e ofendidos verbalmente pelos manifestantes.
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