Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de junho de 2021
No momento em que a CPI da Covid avança em denúncias de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin pelo governo brasileiro, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (30), que só tem “paz e tranquilidade” porque “temos as Forças Armadas comprometidas com a democracia”.
“Só tenho paz e tranquilidade porque sei que, além do povo, temos Forças Armadas comprometidas com a democracia e com a liberdade”, disse o presidente durante cerimônia de inauguração da Estação Radar de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Ao discursar em Ponta Porã, Bolsonaro chamou senadores da CPI da Covid de “bandidos”. “Não conseguem nos atingir; não vai ser com mentiras ou com CPI integrada por sete bandidos que vão nos tirar daqui”, disse à plateia. Em seguida, reafirmou o alinhamento político entre o governo e o Congresso. “Nossos amigos do Legislativo têm nos dado grande apoio em todas as propostas que temos apresentado”, disse.
O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM) rebateu as declarações de Bolsonaro durante a sessão desta quarta-feira, que colhe o depoimento do empresário Carlos Wizard, apontado como integrante de do gabinete paralelo de aconselhamento informal do presidente.
“Estou aqui para mandar uma mensagem: presidente, pare de olhar no espelho e falar com ele”, disse Aziz. “Ele não explicou ainda para quem ele mandou investigar o caso Covaxin, mas, de uma forma repetitiva, ataca membros dessa CPI, chamando de bandidos e outros adjetivos”, afirmou o senador.
“Superpedido”
Partidos políticos, parlamentares, movimentos sociais e entidades da sociedade civil protocolaram nesta quarta na Câmara o chamado “superpedido” de impeachment do presidente Jair Bolsonaro.
O “superpedido” tem 46 signatários e consolida argumentos apresentados nos outros 123 pedidos de impeachment já apresentados à Câmara. Entre esses argumentos, está o mais recente — o que aponta prevaricação do presidente no caso da suspeita de corrupção no contrato de compra da vacina indiana Covaxin.
O texto foi elaborado por um grupo de juristas e atribui a Bolsonaro 23 crimes de responsabilidade divididos em sete categorias:
— crimes contra a existência da União;
— crimes contra o livre exercício dos poderes legislativo e judiciário e dos poderes constitucionais dos Estados;
— crimes contra o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
crimes contra a segurança interna;
— crimes contra a probidade na administração;
— crimes contra a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos;
— crimes contra o cumprimento de decisões judiciárias.
No documento, os autores relatam uma reunião, no último dia 23 de abril, entre os signatários de denúncias de impeachment em tramitação até aquele momento.
“Na ocasião, os presentes compreenderam, de maneira uníssona, que a elaboração de uma única peça, que viesse a sintetizar as suas manifestações específicas, poderia ter o efeito de provocar a resposta há muito aguardada da presidência da Câmara dos Deputados, com a instauração, afinal, do competente processo de impeachment”, diz o texto.
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