Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de abril de 2019
O presidente Jair Bolsonaro usou a sua conta no Twitter nesta sexta-feira (26) para confirmar que haverá um corte de investimentos nas faculdades brasileiras de ciências humanas.
“A função do governo é respeitar o dinheiro do contribuinte, ensinando para os jovens a leitura, escrita e a fazer conta e depois um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família, que melhore a sociedade em sua volta”, escreveu o presidente, repetindo o que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, havia dito na noite anterior, ao seu lado, durante um vídeo transmitido ao vivo pelo Facebook.
“A função do governo é respeitar o dinheiro do pagador de imposto. Então, o que a gente tem que ensinar para as crianças e para os jovens? Primeiro, habilidades: poder ler, escrever e fazer conta. A segunda coisa mais importante: um ofício que gere renda para a pessoa e bem-estar para a família dela, que melhore a sociedade em volta dela”, havia dito Weintraub na noite anterior.
Repercussão
Após a fala do ministro receber o endosso do presidente, especialistas em educação, políticos e intelectuais repercutiram a decisão, criticando ou elogiando. Em fevereiro, pouco mais de um mês antes do anúncio feito pelo presidente, o ideólogo de direita Olavo de Carvalho já havia se manifestado pelo fim das faculdades de ciências humanas.
“Se todas as faculdades de filosofia, letras e ciências humanas do Brasil fossem fechadas, isso não traria nenhum dano econômico nem cultural para o País. Só teríamos de encontrar, para alguns milhares de analfabetos funcionais, o número suficiente de empregos braçais para os quais eles estão qualificados”, publicou Olavo na sua conta no Facebook.
Japão
Durante a transmissão ao vivo na noite de quinta-feira (25), Weintraub classificou as faculdades de filosofia como exclusivas das elites de pessoas muito ricas. Ele indicou que o Brasil reduzirá investimentos públicos em cursos de filosofia e sociologia. Alunos já matriculados não serão afetados, explicou o ministro, que deu como exemplo o Japão.
O Japão, país muito mais rico que o Brasil, está tirando dinheiro público, do pagador de imposto, das faculdades que são tidas como para pessoas que já são muito ricas, ou de elite, como filosofia. Pode estudar filosofia? Pode, mas com dinheiro próprio. E o Japão reforça: esse dinheiro que iria para faculdades como filosofia, sociologia, se coloca em faculdades que geram retorno de fato: enfermagem, veterinária, engenharia e medicina.
Em 2015, o ministro japonês da Educação, Hakuban Shimomura, enviou uma carta às 86 universidades federais japonesas pedindo que tomassem “passos ativos para abolir as ciências sociais e humanas das organizações ou convertê-las para melhor atender às necessidades da sociedade”.
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