Quinta-feira, 09 de Abril de 2020

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Brasil Bolsonaro disse que fará tudo o que puder “dentro da legalidade” contra a Venezuela e Cuba

Bolsonaro voltou a se referir aos governos dos dois países na noite de terça-feira. (Foto: Rafael Carvalho/Governo de Transição)

Crítico frequente de Cuba e Venezuela, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a se referir aos governos dos dois países na noite de terça-feira. Num vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que agirá contra ambos, acrescentando que entre os integrantes do Programa Mais Médicos havia agentes cubanos.

“Tudo o que pudermos fazer dentro da legalidade e da democracia contra esses países nós faremos”, disse Bolsonaro.

O presidente eleito retomou ainda a questão do “desconvite” para a sua posse feito aos dirigentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

No domingo, o futuro chanceler de Bolsonaro, Ernesto Araújo, anunciou que ambos não seriam convidados para a cerimônia de 1º de janeiro. Acontece que, como confirmou depois o Itamaraty, os governos cubano e venezuelano já haviam recebido convites, com autorização do próprio presidente eleito, que inicialmente orientou a diplomacia a seguir o protocolo habitual, que é convidar todos os países com os quais o Brasil tem relações diplomáticas.

Só depois o Ministério das Relações Exteriores recebeu da equipe de Bolsonaro a orientação de excluir Cuba e Venezuela da lista, o que obrigou a diplomacia a fazer uma segunda comunicação aos dois governos, num “desconvite”.

No vídeo, Bolsonaro afirmou que a “melhor forma de apoiar o povo venezuelano” é não convidando Maduro.

“Não convidamos o ditador cubano nem o ditador venezuelano. Afinal de contas, é uma festa da democracia. Lá não existem eleições e quando existem são suspeitas de fraude. Então, para nós, não interessa”, completa Bolsonaro.

Ao se referir a Cuba, Bolsonaro retomou suas críticas à participação do país caribenho no Programa Mais Médicos. Sem apresentar provas, ele afirmou que parte dos integrantes não era formada por médicos, mas por funcionários destinados a vigiar “o trabalho escravo”.

“Os 200 primeiros que foram embora eram agentes cubanos ou integrantes do Exército. Eles estavam aqui vigiando e tomando conta do trabalho escravo praticado por eles (cubanos) com a conivência do PT e saíram porque poderiam ser checados por nós. Temos a confirmação de que não tinham nada a ver com a medicina”, diz o ex-capitão.

Em novembro, após o presidente eleito afirmar que pretendia modificar os termos de colaboração com o País caribenho, Havana decidiu se retirar do programa em vigor há cinco anos que traz médicos de outros países para atuarem em regiões em que há déficit de profissionais de saúde. A maioria dos integrantes do programa (51%) vinha de Cuba, após acordo de parceria do Ministério da Saúde do Brasil com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).

Bolsonaro falou também do anúncio feito na semana passada pelo futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o Brasil deverá sair do pacto sobre migrações da ONU, recém-aprovado pelo atual governo brasileiro em uma conferência no Marrocos. O Pacto Global para uma Migração Segura, Ordenada e Regular teve a adesão de 164 países, mas sofreu a oposição dos Estados Unidos e de países governados pela extrema direita nacionalista, como Hungria e Polônia.

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