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Brasil Bolsonaro diz que em janeiro o governo terá que socorrer 20 milhões de pessoas

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Bolsonaro destacou que as "eleições norte-americanas despertam interesses globais, em especial, por influir na geopolítica e na projeção de poder mundiais". (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pressionado pela reação negativa do mercado financeiro e pela perspectiva de fim do auxílio emergencial, o presidente Jair Bolsonaro se defendeu das críticas após o anúncio de que o Renda Cidadã, programa social que deve substituir o Bolsa Família, deverá ser financiado com parte dos recursos para pagamento de precatórios e verbas do Fundo Nacional do Ensino Básico, uma das principais fontes de recursos da educação. E afirmou que, quando o auxílio emergencial acabar, todos vão sofrer, até o ‘pessoal do mercado’.

Bolsonaro escreveu em uma rede social na manhã desta terça-feira (29) que sua popularidade importuna adversários e grande parte da imprensa, que, segundo ele,  rotula qualquer ação como eleitoreira. E afirmou a apoiadores que, quando o auxílio acabar, todos vão sofrer, até o ‘pessoal do mercado’.

Mais tarde, ele voltou ao tema ao conversar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada:

‘Tudo que eu faço, dizem que estou pensando em 2022. Se nada faço, sou omisso. Se faço, estou pensando em 2022. Agora, não queiram estar no meu lugar, vou fazer o possível para buscar soluções. Vou  para uma máxima militar, eu quero a solução racional, preciso de ajuda no tocante a isso. Agora, se não aparecer nada,  vou tomar aquela decisão que o militar toma. Pior do que uma decisão mal tomada é uma indecisão. Eu não vou ficar indeciso. O tempo está correndo”, disse.

Bolsonaro mencionou ainda na mesma conversa o “pessoal do mercado”, dizendo que “se o Brasil for mal, todo mundo vai mal”.

“Aquele ditado “estamos no mesmo barco” é o mais claro que existe no momento. O Brasil é um só. Se começar a dar problema, todos sofrem. O pessoal do mercado não vai ter também renda, vocês vivem disso, de aplicação”, disse Bolsonaro ao parar para conversar com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

No entanto, o plano de usar dinheiro de precatórios — dívidas judiciais da União já reconhecidas — e recursos da educação para bancar o novo programa social não foi bem recebido por especialistas em contas públicas nem pelo mercado.

O dólar teve a maior alta desde 20 de maio na segunda (28) e a Bolsa caiu 2,41%. No mercado financeiro, até o termo “pedalada” foi usado, em alusão às manobras fiscais do governo petista. Isso porque o uso do Fundeb para o Renda Cidadã não estouraria o teto de gastos – regra que  limita o aumento de despesas à inflação – e os recursos para precatórios já estão previstos no Orçamento.

A ideia do Renda Cidadã é incluir parte dos trabalhadores que deixarão de receber o auxílio emergencial após dezembro.

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