Domingo, 01 de março de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2019
Jair Bolsonaro vai manter na viagem à Ásia o costume de convocar seu alfaiate para encomendar roupas novas para suas viagens internacionais.
O último pedido foi feito no mês passado: o terno que será usado na viagem da próxima semana. A peça foi planejada quase um mês antes da viagem, mesmo antes de a ida ser confirmada pelo Planalto.
Viagem
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) vai para o Japão e para a China a partir deste sábado (19) com o propósito de reforçar o comércio brasileiro com os dois países asiáticos e prestigiar a entronização do novo imperador japonês, Naruhito.
A Ásia é vista como fundamental para os negócios por concentrar cerca de 4 bilhões de habitantes e ser o destino de 40% das exportações brasileiras, segundo dados dos primeiros nove meses de 2019. O índice representa US$ 67 bilhões, dos quais US$ 46 bilhões foram negociados somente com a China.
Quase a totalidade dos produtos exportados pelo Brasil são primários, como frutas, carnes e materiais brutos, enquanto as importações se caracterizam pelo maior refinamento tecnológico, informou o secretário de Negociações Bilaterais na Ásia, Pacífico e Rússia, embaixador Reinaldo José de Almeida Salgado.
A vontade do governo federal é ampliar as exportações e mudar esse perfil por meio da venda de mais produtos de maior valor agregado a médio e longo prazo.
“Isso envolve promoção comercial, de modo a dinamizar a economia. As reformas são parte essencial para isso. No futuro vai permitir aumentar a competitividade”, disse Salgado.
Bolsonaro pretende passar a imagem de um país que promove reformas internas e tem segurança jurídica para futuros aportes financeiros. Ao todo, China e Japão já contam com US$ 100 bilhões em investimentos no Brasil.
Projetos do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), com concessões e privatizações, serão mostrados a empresários estrangeiros. Datas de leilões e licitações também serão ressaltadas. Por exemplo, o leilão da cessão onerosa previsto para 6 de novembro.
Outra área prioritária é promover trocas de conhecimento em ciência e tecnologia. Acordos sobre turismo não deverão ser fechados.
Os debates comerciais deverão se concentrar na China, porque, desta vez, o foco da visita no Japão será a entronização do imperador Naruhito.
O embaixador afirmou que a viagem de Bolsonaro retribui uma série de visitas da família imperial japonesa ao Brasil. O último a vir ao Brasil foi o próprio imperador Naruhito ao participar do Fórum Mundial da Água, em Brasília, em março de 2018. Ele ainda visitou um centro da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Neste ano, Bolsonaro se reuniu com o primeiro-ministro do Japão no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, e o cumprimentou na cúpula do G20, que engloba as maiores economias do mundo, em Osaka.
Apesar do destaque da pauta comercial na China na viagem do final do mês, os negócios entre Brasil e Japão preocupam o governo, porque têm decaído em relação a anos anteriores, informou o embaixador. O comércio bilateral de janeiro a setembro de 2019 foi de US$ 7 bilhões e, em 2018, de US$ 8,6 bilhões. No entanto, os valores são metade do que foi atingido em 2011, falou.
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