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Política Bolsonaro mantém indefinição sobre Tarcísio de Freitas e se reaproxima de nomes da direita para conseguir apoio à anistia

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(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Após se tornar réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro vem costurando uma reaproximação com governadores de direita que buscam ter a sua bênção para concorrer à Presidência da República nas eleições do ano que vem.

Desde a semana passada, Bolsonaro fez gestos a Ronaldo Caiado, de Goiás, Romeu Zema, de Minas Gerais, e Ratinho Jr., do Paraná. O trio foi alvo de frituras recentes do bolsonarismo devido às suas pretensões para 2026. Diante do cortejo de Bolsonaro, eles avaliam participar de um ato pró-anistia em São Paulo neste fim de semana, junto do governador Tarcísio de Freitas, outro cotado ao Palácio do Planalto que convive com uma estratégia “morde e assopra” do ex-presidente.

Interlocutores de Bolsonaro e desses governadores avaliam que o movimento do ex-presidente segue um cálculo pragmático para facilitar a adesão ao projeto de anistia aos envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro no Congresso — em especial do PSD, de Ratinho Júnior, a quem ele visitará nesta sexta (4). Há também a percepção, segundo esses interlocutores, de que Bolsonaro usará as viagens pelo País para demarcar a posição de candidato à Presidência, mesmo inelegível, aumentando o custo político de eventuais “voos solo” de outros presidenciáveis que buscam o apoio do bolsonarismo.

Baixando o tom

O ex-presidente desembarca nesta sexta em Curitiba para um almoço com o governador do Paraná, estado que foi o epicentro de embates entre o bolsonarismo e o PSD nas eleições municipais de 2024. Na ocasião, Bolsonaro se esquivou de apoiar a campanha do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), mesmo tendo um candidato a vice do PL, e chegou a sinalizar um endosso à sua adversária no segundo turno, a jornalista Cristina Graeml.

“Esta visita do (ex-)presidente mostra que ele está muito próximo tanto do governador Ratinho quanto do (presidente do PSD, Gilberto) Kassab. Avalio que ele (Bolsonaro) está evitando confrontos e mostrando que pode superar pequenas divergências por um bem maior”, afirmou o deputado Reinhold Stephanes Jr. (PSD-PR).

Do trio de governadores, Zema é o que tem presença mais garantida na manifestação pró-anistia em São Paulo. Aliados do governador mineiro afirmaram ao Globo que ele foi chamado por Bolsonaro após a troca de elogios na última semana e que garantiu presença. Interlocutores de Ratinho Jr., por sua vez, disseram que ele aguarda um convite de Bolsonaro durante a visita desta sexta. Já o entorno de Caiado diz que não há previsão de viagem à capital paulista, mas ele não descarta a possibilidade.

Um empecilho para a presença de Caiado é o fato de que ele lançará sua pré-candidatura à Presidência nesta sexta, em Salvador, numa possível fonte de atrito com o bolsonarismo às vésperas do ato. Aliados do governador de Goiás, porém, enxergam sinais de pacificação.

“A união da direita é o caminho natural. Se estivermos unidos, vamos eleger o próximo presidente. Estamos contando com a sensibilidade do (ex-)presidente Bolsonaro de enxergar essa mesma análise”, avaliou o ex-deputado Delegado Waldir (União-GO), atual presidente do Detran na gestão de Caiado.

A eventual presença de todos os governadores presidenciáveis junto a Bolsonaro seria uma novidade em relação ao ato pró-anistia no Rio, que contou somente com Tarcísio dentre os cotados ao Planalto no campo da direita. (Com informações do jornal O Globo)

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