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Política Bolsonaro “não tem noção de prioridade para o País”, diz o presidente da comissão da reforma da Previdência

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O deputado Marcelo Ramos criticou o projeto de lei de Bolsonaro que aumenta o número de pontos permitidos na CNH. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

O presidente da comissão especial da reforma da Previdência, Marcelo Ramos (PL-AM, que se chamava PR), disse nesta terça-feira (4) que o presidente Jair Bolsonaro não tem noção de prioridade e do que é importante para o país. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da Agência Câmara.

O deputado criticou o fato de Bolsonaro ir na manhã desta terça-feira ao Congresso para entregar projeto de lei que aumenta o número de pontos permitidos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

“Depois reclamam quando digo que o presidente Bolsonaro não tem noção de prioridade e do que é importante pro país. Enquanto estamos num seminário sobre reforma da Previdência ele está vindo pra Câmara apresentar PL que trata de aumentar pontos na carteira de maus motoristas”, escreveu Ramos no Twitter.

O presidente da comissão que é a segunda etapa do projeto de mudança nas regras da aposentadoria tem feito críticas à maneira como o Executivo tem conduzido a articulação na Câmara.

No fim de abril, Ramos chegou a declarar que tem antipatia pelo governo, mas que esta é menor que sua responsabilidade com a reforma.

“A minha antipatia pelo governo é menor do que a minha responsabilidade com a reforma. Não vou deixar milhões de brasileiros em necessidade. Todos sabem que eu não tenho simpatia por esse governo. Basta ver meu posicionamento”, afirmou após a instalação da comissão especial.

Ramos faz parte do grupo do centrão que está mais insatisfeito com o governo. O PL (ex-PR) junto com o PP e o DEM, tem liderado as derrotas que têm sido impostas pelo Legislativo neste início de governo.

Nesta terça-feira, a comissão da reforma fez um seminário com especialistas no auditório da Câmara. A expectativa é de que o relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), entregue seu voto nesta quinta-feira (6).

O projeto é prioritário para o governo Bolsonaro, que quer vê-lo aprovado no plenário da Câmara ainda neste primeiro semestre. A estimativa é vista, porém, com ceticismo por líderes partidários.

Regras

Bolsonaro entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o projeto que muda as regras para obtenção e suspensão da CNH. O texto amplia de cinco para dez anos a validade da CNH e aumenta de 20 para 40 pontos o limite para a suspensão da carteira.

Bolsonaro explicou que o texto tira do Departamento Nacional de Trânsito (Detran) a exclusividade das clínicas para os exames de saúde para obtenção/renovação do documento. “É um projeto que parece que é simples, mas atinge a todos, todo mundo é motorista ou anda de carro”, disse o presidente em coletiva após encontro com Maia.

Rodrigo Maia defendeu o projeto e afirmou que a medida é importante porque atinge os trabalhadores que vivem do transporte, como caminhoneiros e taxistas. “Temos uma pauta extensa de agenda macroeconômica que estamos tocando como a reforma da Previdência e a tributária, mas essa agenda que atinge o dia a dia do trabalhador brasileiro também é importante que faça parte da nossa pauta”, afirmou Rodrigo Maia.

Já o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, explicou que o projeto busca tornar mais fácil a vida do cidadão e desburocratiza a máquina pública. Freitas aproveitou a oportunidade para defender a atualização do Código de Trânsito Brasileiro. Segundo ele, os Detrans estaduais não conseguem operacionalizar os processos que suspendem o direito de dirigir. “É muito fácil que cidadão perca a carteira, isso tem se mostrado ineficaz. Também não faz sentido, se a saúde e a expectativa melhoraram, a gente impor a cada 5 anos para renovar a carteira”, disse o ministro.

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