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Brasil Bolsonaro nega a saída do secretário da Receita Federal: “Por enquanto está muito bem”

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O secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, insistiu na recriação da CPMF e foi convidado a entregar o cargo. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Em meio a estudos para a reformulação da Receita Federal, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (15) que o titular da Secretaria do Fisco, Marcos Cintra, “por enquanto está muito bem” e que ele permanecerá no cargo.

“Não, o Cintra por enquanto está muito bem. Ele só não está em Brasília essa semana porque fez uma cirurgia não sei do que em São Paulo”, disse Bolsonaro ao deixar o Palácio da Alvorada.

Questionado sobre o motivo de dizer “por enquanto” ao se referir à permanência do secretário, o presidente desconversou. “Porque, sem problema, igual você comigo [em referência ao repórter]. Por enquanto eu estou te atendendo, a partir de amanhã pode ser que eu não te atenda mais.”

A crise institucional envolvendo a Receita colocou em xeque a permanência de Cintra na chefia do órgão. Depois que até Bolsonaro reclamou de uma suposta atuação política de auditores, o apoio a Cintra encolheu rapidamente. Integrantes do governo dizem que “falta comando” ao Fisco e apostam em mudança de comando.

Diante do ataque de representantes dos Três poderes à Receita, o órgão deverá ganhar uma blindagem institucional e pode ter suas atribuições fatiadas. O tema está sob estudo no Ministério da Economia, que pode transformar a Secretaria em uma autarquia e separar a arrecadação da elaboração de políticas tributárias.

O ministério vive hoje um bombardeio direcionado a dois de seus órgãos: a Receita e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Incomodou a classe política e integrantes do Judiciário o fechamento de cerco feito recentemente a autoridades pelos dois órgãos.

Soma-se a isso o plano de Cintra de criar um imposto semelhante à CPMF, medida impopular e que sofre resistência no Congresso. As ações de Cintra têm desagradado em especial a Bolsonaro, com quem já teve ao menos quatro desavenças desde o início deste ano.

Caso mais latente é a discussão sobre a criação do imposto sobre pagamentos, uma espécie de CPMF. Enquanto Cintra fala abertamente sobre o tributo, o presidente diz que o seu governo não recriará a contribuição.

Nos bastidores, aliados de Bolsonaro dizem que as reclamações em torno da CMPF são apenas a cereja do bolo de uma série de queixas. Ele tem reclamado de ações da Receita e do Coaf que tiveram sua família como alvo.

Seu primogênito, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é alvo de apuração que teve como base relatórios do Coaf e dados fiscais. Na visão do presidente, as investigações têm como objetivo atingi-lo indiretamente. Cintra e Bolsonaro já se desentenderam também sobre a tributação de impostos a igrejas e aumento do IOF logo nos primeiros dias do governo.

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