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Política Bolsonaro no PL: entenda os obstáculos para concretizar sua filiação ao partido

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Teu Estado é o cacete, porra", declarou Bolsonaro. (Foto: Alan Santos/PR)

Após o cancelamento de sua filiação ao PL, marcada para a próxima segunda (22), o presidente Jair Bolsonaro avisou que “tem um limite” e, em “duas ou três semanas”, no máximo, vai “casar ou desfazer o noivado”.

Na última segunda (15), em Dubai, ele destacou que tem convites de outros partidos, como PP e Progressistas, e que não vai aceitar que sua futura sigla apoie “a esquerda” nos Estados. Este é o principal entrave colocado até aqui, que inclui acordos do PL negociados anteriormente com o PT no Nordeste e o PSDB em São Paulo, principal colégio eleitoral do País.

Entenda as principais pendências a serem superadas entre os liberais e o presidente para selar a filiação:

Concessões dos Estados

Bolsonaro espera que o PL concorde em lançar candidato próprio ou aliado em diversos Estados, sobretudo São Paulo e Estados do Nordeste. O partido já firmou apoio à candidatura de Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo de São Paulo e não ofereceu ainda alternativa a isso. Para o presidente, essa aliança é inadmissível. Garcia é vice do governador João Doria, um dos principais oponentes do presidente no xadrez político e, possivelmente, seu adversário na corrida eleitoral do ano que vem. O PL também apoia o governo e faz parte da base aliada a Doria na Assembleia Legislativa.

Não bastasse o PSDB, o PL tem alianças locais com adversários do governo em Estados do Norte e Nordeste — em especial governos petistas, como de Wellington Dias (Piauí). No total, o partido apoia governadores de oposição em sete Estados: Alagoas, Ceará, São Paulo, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. Costa Neto convocou para esta quarta-feira, 17, em Brasília, uma reunião com dirigentes do PL nos 27 colégios eleitorais para discutir os impactos da entrada do presidente na sigla e ajustes necessários.

Histórico

O presidente sentiu o peso do histórico complicado do PL nas mídias sociais. Seguidores reclamaram da aliança, lembrando da proximidade dos liberais com os governos do PT, e do envolvimento do partido nos escândalos do mensalão e da Lava Jato. Costa Neto foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito do mensalão, e foi preso por isso.

Então deputado federal, Costa Neto foi condenado a sete anos e 10 meses. Em novembro de 2014, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, autorizou que ele cumprisse o restante da pena em prisão domiciliar. A participação de integrantes do PL no esquema de corrupção foi denunciada pelo presidente nacional do PTB e atual aliado de Bolsonaro, Roberto Jefferson. Ao todo, 25 pessoas foram condenadas no Mensalão.

Bolsonaro tentou se desvencilhar de Costa Neto em 2018, quando o nome de Magno Malta, do PL — que, à época, se chamava PR — era cotado para ser seu vice. “Valdemar Costa Neto, já condenado no Mensalão, já foi citado… ou melhor, citado não, estão bastante avançadas as citações dele no tocando à Lava-Jato…”, disse.

O PL abrigou por anos o então vice-presidente da República, José Alencar, que compôs chapa e esteve com Lula até 2010. Estar no mesmo partido de Costa Neto enfraquece o viés de combate à corrupção da campanha bolsonarista. O tema foi crucial no pleito de 2018, e deve seguir em alta com a provável entrada de Sérgio Moro, agora filiado ao Podemos, na corrida presidencial.

Nas redes, apoiadores do presidente pedem que ele “tome cuidado” com o PL. Um usuário do Twitter descreveu os integrantes do partido como “interesseiros” e outra como “petistas disfarçados”. “Não à filiação no PL. O PSDB está por trás de toda a trama”, escreveu uma apoiadora de Bolsonaro.

Oferta

No cálculo político para trazer Bolsonaro, o PL oferece ao presidente a vantagem de ser a terceira maior bancada da Câmara dos Deputados, com 43 parlamentares. O partido está atrás apenas do PSL, antiga casa do presidente, que acaba de anunciar a fusão com o DEM, e do PT.

No acumulado até outubro, o PL ficou com a oitava maior fatia do fundo partidário este ano, tendo recebido R$ 40 milhões. A dotação de recursos para o partido está atrás do PSL (R$ 87 milhões), PT (R$ 77 milhões), PSDB (R$ 45 milhões), PSD (R$ 44 milhões), e PSB, PP e MDB, todos com R$ 42 milhões.

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